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Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 71,98 / kg
Soja - Indicador PRR$ 123,24 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 130,20 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,21 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,96 / kg
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Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 182,51 / cx
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Saída para o milho

No ano em que o Brasil colhe uma supersafra, o grão se acumula nos armazéns. Preços não cobrem os custos.

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Saída para o milho

Com uma safra de verão cheia e uma safrinha recorde a caminho, o Brasil não sabe o que fazer com tanto milho. Deprimidos pelo excesso de oferta, os preços domésticos não remuneram os custos de produção e travam a comercialização, fazendo o grão se acumular nos armazéns. Apesar de as cotações internas estarem baixas – o que em teoria seria um incentivo às exportações –, o real sobrevalorizado tira a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. Como resultado, as vendas externas do cereal, que poderiam ser a válvula de escape para enxugar o excesso de oferta e regular o mercado, também não decolam.

Segundo analistas, o país teria que exportar ao menos 10 milhões de toneladas de milho neste ano para aliviar a pressão sobre os preços. Mas essa parece uma meta difícil de ser alcançada. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, entre janeiro e março de 2010, os embarques do grão somaram 1,8 milhão de toneladas, 30% menos que as 2,5 milhões de toneladas do primeiro trimestre de 2009. Ou seja, para cumprir a meta dos 10 milhões, o Brasil teria que enviar ao exterior quase 1 milhão de toneladas mensais até o final do ano. Em janeiro, mês de melhor desempenho até agora, os embarques brasileiros do cereal não chegaram à casa das 900 mil toneladas.

“O ano passado não serve de base para comparação”, defende Eduardo Sampaio, diretor do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Tivemos um primeiro trimestre muito bom em 2009. Quase um terço das exportações foram feitas nesse período, até por causa do apoio polêmico do PEP (veja texto ao lado)”, explica.

O governo garante que está preparado para auxiliar a comercialização da produção novamente neste ano, inclusive com subsídio à exportação. “No ano passado apoiamos a venda de 10,8 milhõesa de toneladas de milho. Neste ano, estimamos que ao menos 15 milhões de toneladas irão precisar de apoio”, prevê o coordenador-geral de Cereais e Culturas Anuais do Mapa, Silvio Farnese. A ideia, explica, é escoar o milho do Mato Grosso para os centros de consumo do Norte e Nordeste do país e subsidiar a exportação do cereal produzido em estados autossuficientes como o Paraná.

Farnese considera que isso viabilizaria o embarque de 10 milhões de toneladas até o final do ano, volume considerado suficiente por produtores e indústrias para enxugar o mercado. Mais conservadora, a Conab estima as exportações brasileiras de milho em 2010 em 8,5 milhões de toneladas. O volume é superior ao registrado no ano passado (7,8 milhões), mas fica abaixo do recorde de 2006/07, quando 10,9 milhões de toneladas do cereal deixaram os portos nacionais. Naquele ano, as vendas externas do grão explodiram por causa de uma quebra na safra de trigo da Europa. Na temporada seguinte, com recuperação da safra europeia, os embarques brasileiros caíram quase à metade e inflaram os estoques de passagem do país, que beiraram 12 milhões de toneladas no ciclo 2007/08.

Desde então, o Brasil vem carregando esse excedente. Há três safras, o país vira o ano com mais de 11 milhões de toneladas de milho sobrando. E, se não conseguir alavancar as exportações neste ano, repetirá o mesmo roteiro em 2010. Considerando a meta atual da Conab para as vendas externas, o país chegará ao final do ano com 11,4 milhões de toneladas do cereal em estoque, o suficiente para quase três meses de consumo. O acúmulo de sobras não é visto como um problema pelo Mapa. “Consumimos pouco menos de 4 milhões de toneladas ao mês. Por isso, precisamos manter nossos estoques em níveis saudáveis para evitar o desabastecimento”, defende Sampaio.

Já na visão do setor produtivo, o carregamento de estoques é motivo de preocupação. “Nossa rede de armazenagem, além de deficitária, é mal distribuída. Não haverá espaço para guardar tanto milho em Mato Grosso. No ano passado ficamos com 500 mil toneladas armazenadas a céu aberto no estado. Não me assustarei se neste ano esse volume for ainda maior”, declara Seneri Paludo, superintendente do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea). Nas contas do instituto, Mato Grosso terá neste ano 13,5 milhões de toneladas de milho para comercializar. A estimativa considera um excedente de 3 milhões de toneladas de milho que sobraram da safra anterior e uma safrinha recorde de 9,5 milhões de toneladas prevista para 2010.

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