Abipecs faz um balanço do mercado brasileiro de carne suína neste ano. Para entidade, crescimento da produção foi moderado e demanda interna cresceu fortemente.
Avaliação dos resultados de 2010 e perspectivas para 2011
Os principais fundamentos da cadeia suína brasileira, em 2010, foram moderado crescimento da produção, forte expansão da demanda interna, valorização do real, elevação dos preços nos mercados interno e externo, aumento da concorrência internacional e menor oferta de carne bovina no mercado doméstico.
Produção
A produção, em 2010, cresceu 1,5 % em relação a 2009, passando de 3,19 milhões de toneladas para 3,24 milhões de toneladas. Esse crescimento foi sustentado pelo aumento de 3,5% no peso médio do abate sob Inspeção Federal – SIF. Em cabeças, a oferta para abate se manteve estável, ao redor de 34 milhões. O plantel de matrizes também ficou estável, ao redor de 2,45 milhões de cabeças. O modesto aumento, em 2010, teve como principal componente o baixo nível de investimentos em 2009.
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Mercado interno
A oferta de suínos para abate, em 2010, aumentou 1,8 %, passando de 33,8 milhões de cabeças para 34,4 milhões. No período, os abates sob Inspeção Federal, ao atingirem 28,8 milhões de cabeças, cresceram 2,5 % em relação a 2009, e os abates sob outras certificações mantiveram-se em decréscimo. Mais de 83% da oferta foi absorvida pelo mercado interno.
A disponibilidade interna cresceu perto de 4 %, permanecendo abaixo do potencial de consumo, estimado em 15 kg por habitante ano. Diante do potencial do consumo interno, os estoques, neste final de ano, estão muito baixos.
O ano de 2010 caracterizou-se pelos baixos estoques, forte procura pelo produto e preços em alta. Tal situação também foi influenciada por menor oferta de carne bovina.
Mercado externo
A crise financeira de 2008/2009 continuou a afetar os volumes e os preços das exportações, em 2010. A boa evolução dos preços, 23,3% superiores aos praticados em 2009, ainda ficou aquém dos preços obtidos no período de janeiro a outubro de 2008, que antecedeu a crise.
Outro fator importante para o menor volume exportado foi a forte valorização do real, que contribuiu para as exportações brasileiras perderem competitividade em relação aos principais concorrentes: Estados Unidos e alguns países da União Europeia.
A Rússia, principal mercado, teve sua moeda fortemente desvalorizada, o que contribuiu para a melhora da competitividade dos Estados Unidos e da Europa naquele mercado. Além disso, a desvalorização do dólar fez com que os custos de produção nos Estados Unidos ficassem semelhantes aos do Brasil.
Como em quase todos os setores da economia brasileira, o mercado interno, em 2010, esteve muito mais atrativo do que o externo. Diante dessa situação, os exportadores puderam exercer opção por não vender aos preços que os importadores ofereciam, preferindo melhor remunerar seus produtos no mercado doméstico.
Perspectivas para 2011
Até o momento, não há sinalização de uma mudança significativa do atual quadro, pois a oferta tende a continuar ajustada à demanda. Os mesmos fundamentos que influenciaram 2010 estarão presentes em 2011. A única diferença serão os custos, que deverão estar mais altos por conta do encarecimento dos preços dos grãos. Esse fator tende a diminuir as margens do setor.
A abertura do mercado norte-americano às exportações de Santa Catarina é um importante aval para as negociações que continuarão em 2011, sobretudo com os demais membros do Nafta (Canadá e México), com países centro-americanos, com Japão, Coreia do Sul, União Europeia e China.





















