Frigorífico Minerva crê em melhoria nas exportações brasileiras de carne e na continuidade da demanda firme no mercado doméstico em 2009.
Após ano disputado, Minerva vê consolidação
Redação (30/03/2009)- Após um ano em que teve seus resultados afetados pela variação cambial e por uma maior disputa no mercado, o frigorífico Minerva crê em melhoria nas exportações brasileiras de carne bovina e na continuidade da demanda firme no mercado doméstico em 2009. "Há pouco estoque fora do Brasil, por isso vejo recuperação apesar da redução do consumo [em 2008]", disse Fernando Galletti de Queiroz, presidente do Minerva.
Ele avalia que a influência da crise na produção de carne é menor no Brasil que em outros países e acredita que o setor conseguirá ampliar os volumes exportados para a União Europeia, já que o número de fazendas certificadas para fornecer animais vem crescendo.
A perspectiva do Minerva é que o dólar valorizado ante o real também beneficie as vendas externas de carne. No ano passado, porém, o câmbio não conseguiu estimular as exportações por conta da crise global e levou o Minerva a perdas. No último trimestre, a empresa teve prejuízo de R$ 179,7 milhões, decorrente da desvalorização do real a partir de setembro, que resultou numa despesa de R$ 131,8 milhões, (sem efeito caixa) – no quarto trimestre de 2008 havia tido um lucro de R$ 16,5 milhões. No ano, a perda foi de R$ 215,5 milhões, ante um lucro de R$ 62,5 milhões no exercício de 2007.
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As receitas com as vendas no último trimestre subiram 4,4% sobre igual intervalo de 2008, para R$ 509,3 milhões. No ano, o avanço foi de 42,5%, para R$ 2,308 bilhões, graças a vendas 76,4% maiores no mercado interno. O ritmo diminuiu no último trimestre porque o Minerva parou temporariamente três plantas, para reduzir custos. Da receita total de 2008, R$ 1,468 bilhão foram exportações, que cresceram 28,4% impulsionadas pela divisão carne.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) do Minerva caiu 20,3%, para R$ 29,4 milhões no quarto trimestre de 2008, mas cresceu 27,2% em 2008, para R$ 153,4 milhões. No ano, a margem lajida foi de 7,2%, abaixo dos 8,2% de 2007, reflexo da pressão dos custos do boi e das vendas menores à UE.
Já a margem líquida da empresa ficou negativa em 10,2% em 2008, depois de ter alcançado 4,3% positivos no ano anterior. "2008 foi um ano de concorrência grande por share no mercado, de briga para conseguir margens", disse o presidente do Minerva.
Neste ano, a briga será para ocupar espaços deixados no mercado por frigoríficos que, em crise, deixaram de operar. No ano passado, o Minerva conseguiu operar com utilização média de 75% de sua capacidade de abate de 6.500 animais/dia. Atualmente, já opera com 80%. "Há sete empresas em recuperação judicial que deixaram um espaço no mercado", comentou. Ainda que tenha priorizado o crescimento orgânico recentemente, o Minerva não descarta aquisições num momento em que há vários ativos à disposição no mercado. "Sempre analisamos possibilidades. Consolidação não é feita na euforia. Empresas mais estruturadas, como é nosso caso, são empresas que serão consolidadoras", afirmou Queiroz.
O Minerva fechou 2008 com caixa de R$ 466,5 milhões e dívida líquida de R$ 931,7 milhões. De acordo com a empresa, R$ 215 milhões em recursos financiados pelo BNDES e pelo Banco da Amazônia serão usados para recompor o caixa utilizado nos investimentos já feitos e no alongamento da dívida.





















