O uso do milho para a produção de biocombustível tem provocado uma certa apreensão no setor que produz grãos para alimentação animal, segundo Bryan Fancher, do Grupo Aviagen.
Bioenergia vai afetar os países produtores de frango
Redação AI (06/07/08) – "O impacto da produção de biocombustíveis será sentida pelos segmentos econômicos ligados à produção animal nos próximos anos, com diminuição da oferta de milho para a produção de ração e provável redução de lucros no comércio de aves", alertou Bryan Fancher, Ph.D. em Nutrição Animal e vice-presidente de Serviços Técnicos do Grupo Aviagen, durante recente encontro com profissionais brasileiros da área de nutrição.
"Observamos uma tendência de diminuição do fornecimento do milho e outros cereais para a indústria de ração e aumento de sua oferta para a indústria de combustíveis", diz ele. A projeção se deve a valorização do milho usado como matéria-prima na produção do etanol, tornando-o menos lucrativo para processamento na fabricação de ração, o que leva à conclusão de que a produção de aves será afetada de maneira negativa. Para Bryan, "o milho será um dos grandes motores para a produção de etanol, gerando alta nos preços e volatilidade no mercado". Algumas companhias americanas já estão trabalhando para produzir um tipo de biocombustível usando gorduras animais (de aves e suínos), mas ainda há muitas dificuldades a serem superadas.
Desde 2004 os Estados Unidos tem incentivado, por meio de políticas e subsídios aprovados pelo Congresso, a produção de biocombustíveis, principalmente do etanol celulósico. Segundo Bryan, esses combustíveis são considerados competitivos economicamente, além de contribuírem para o aumento de empregos, a redução da poluição ambiental e ganho energético dos motores. Uma amostra do potencial de crescimento do setor é o número de biorefinarias instaladas nos EUA: 54 em 2005 e 110 no ano passado, concentradas nas principais regiões produtoras de milho. No ano passado, cerca de 17% da área total de milho cultivada nos Estados Unidos (que é responsável por 41% da produção mundial) já foi direcionada para a fabricação de etanol e a estimativa é que, dentro de dois anos, 35% da produção americana seja consumida por este segmento.
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Os dois principais biocombustíveis com perspectiva de grande crescimento são o etanol (fabricado a partir da cana e do milho) e o biodiesel (de soja e canola). As novas tecnologias de extração produzem alguns subprodutos que podem ser usados nas indústrias de ração. Um deles é a glicerina, considerada boa fonte de energia com importante contribuição para a formação da carcaça. Mas Bryan ressalta que as indústrias de ração devem analisar com critério a composição dos subprodutos e, no caso da glicerina, usar no máximo até 5% do total da dieta da ave.





















