Trigo fechou em leve alta nesta sexta
Exportações e petróleo impulsionam milho e soja em Chicago

Sinais de que a demanda por milho segue firme puxaram a alta dos preços do cereal na bolsa de Chicago nesta sexta-feira. Os futuros do grão encontraram sustentação adicional na alta do petróleo, que aumenta a competitividade do etanol nos Estados Unidos — no país, o milho é a principal matéria-prima para a produção do biocombustível.
“O milho parece barato quando comparado ao petróleo bruto como fonte de energia, e isso não passou despercebido aos gestores de fundos”, disse a AgResource à Dow Jones Newswires.
O contrato do cereal para dezembro, o mais líquido, avançou 0,98% (5,50 centavos de dólar), para US$ 5,6825 o bushel. No mês, o papel acumulou valorização de 5,9%. A segunda posição, para março, subiu 0,88% (5 centavos de dólar) nesta sexta, a US$ 5,7625 por bushel.
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Outro fator importante na sessão foram novos dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre exportações. O órgão registrou a negociação de 279,4 mil toneladas de milho para o México, reforçando a percepção de aumento da procura pelo cereal.
“O bom ritmo dos registros de exportação, mesmo com a China fora do mercado, a melhora das margens das usinas de etanol de milho nos EUA, que estão com demanda aquecida pelo cereal, e o atraso na colheita da Ucrânia são fundamentos de sustentação para as cotações”, diz a analista Daniele Siqueira, da AgRural.
Para novembro, ela aponta que a tendência técnica ainda é de valorização, mas as cotações ainda podem ficar sob pressão na reta final da colheita nos Estados Unidos e com uma eventual melhora nos trabalhos de campo na Ucrânia.
Amparadas na recuperação dos preços do petróleo e do óleo de soja, as cotações da soja em grão “devolveram” as perdas da véspera e fecharam em alta nesta sexta. O vencimento para janeiro, o mais negociado, subiu 0,28% (3,50 centavos de dólar), a US$ 12,4950 o bushel. Já a posição seguinte, para março, avançou 0,24% (3 centavos de dólar), para US$ 12,590 por bushel.
Outro fator de sustentação foi a demanda externa firme. O USDA informou que exportadores do país venderam 132 mil toneladas da safra 2021/22 para destinos não revelados — o que o mercado entende ser a China.
Mesmo com a alta na sessão de hoje, o contrato mais líquido da soja encerrou outubro com desvalorização de 1,3%. Esse foi o quarto mês consecutivo de queda do papel.
Daniele Siqueira recorda que, ao longo deste mês, as cotações foram pressionadas pelos estoques mais altos do que se esperava nos EUA e pelo aumento da estimativa de produção na safra 2021/22, que está sendo colhida. A estimativa é de colheita de 121,1 milhões de toneladas, volume que, caso se confirme, será recorde.
A forte desvalorização do real em relação ao dólar também pesou sobre os contratos, uma vez que a venda fica mais atrativa para os produtores brasileiros, o que aumenta a oferta do grão no mercado. A analista aponta também a baixa demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos. “Até o momento, os chineses fecharam a compra de 16 milhões de toneladas de soja dos EUA. Um ano atrás, foram 26 milhões”, prossegue.
Sobre o desempenho do grão nesta sexta, o analista Karl Setzer, da AgriVisor, acrescenta ainda que os operadores aproveitaram a última sessão do mês para ajustes de posições — o contrato para novembro vence nos próximos dias. Agora, o mercado começa a voltar suas atenções para o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, que será divulgado no dia 9.
“À medida que a colheita avança e os números de produtividade aparecem, veremos mais posicionamento para o relatório mensal. Normalmente, o relatório de novembro recebe pouca atenção do mercado, mas nenhum relatório passou despercebido recentemente”, diz.
Para o analista Dan Hueber, os fundamentos continuam a indicar baixas, e uma liquidação mais firme poderá ocorrer nas próximas sessões. “Não parece haver nenhuma notícia surpreendente do lado dos fundamentos. Assim, atribuo [a alta] a uma mudança técnica nesta semana, mas suspeito que ela vai se exaurir, mais cedo ou mais tarde”, afirma, em relatório. “Em novembro, o mercado tende a continuar tecnicamente fragilizado, devido ao saldo negativo em outubro. Para que as cotações não caiam demais, é importante que o contrato para janeiro respeite o suporte de US$ 11,9575”, complementa Daniele Siqueira.
Por fim, o trigo encontrou no avanço do milho um elemento para neutralizar a pressão por realização de lucros após a forte alta na véspera. Nesta sexta, o papel para dezembro, o mais ativo no momento, subiu 0,03% (0,25 centavo de dólar), a US$ 7,7275 o bushel. Já a segunda posição, para março, recuou 0,06% (0,50 centavo de dólar), para US$ 7,850 o bushel.
O Commerzbank lembrou que o contrato mais ativo na bolsa americana está perto de ultrapassar o pico registrado em agosto deste ano (US$ 7,80 por bushel), o que significaria alcançar os maiores valores desde o início de 2013. Na bolsa de Paris, o patamar atual é o maior em mais de 13 anos.
“Os preços estão subindo não por influência de notícias sobre a demanda, mas por causa da oferta restrita: ontem [quinta-feira], o Ministério da Agricultura da Rússia, maior exportador mundial de trigo, reduziu sua previsão para a safra de grãos, sem especificar o trigo”, disse o banco, em relatório. “Mas o trigo é responsável por cerca de 60% da safra de grãos da Rússia. Também há sinais de problemas para a safra do próximo ano: o plantio de grãos de inverno na Rússia tem apresentado um progresso bastante fraco devido às condições de seca”, completou a instituição.























