Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↓ R$ 67,18 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 148,14 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↑ R$ 154,91 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 9,33 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,43 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,49 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,67 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,60 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,62 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 141,38 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 143,86 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 152,36 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 162,44 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 132,26 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 145,83 / cx
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,38 / kg
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,40 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↑ R$ 1.560,92 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↑ R$ 1.455,60 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 154,26 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 135,63 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↑ R$ 145,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 158,66 / cx
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Comentário

Clima impõe aceleração de mudanças na agricultura

Por Maurício Antônio Lopes, pesquisador da Embrapa

Clima impõe aceleração de mudanças na agricultura

É por isso que mudança, adaptação, reinvenção e resiliência são conceitos que ganham cada vez mais força nesse tempo de rápida evolução tecnológica, economias voláteis e crescente preocupação com o clima e a estabilidade do planeta. A agenda de desenvolvimento sustentável já permeia praticamente todos os domínios da atividade humana, cristalizando em parcela cada vez maior da sociedade a percepção de que é preciso investir na reconciliação entre os sistemas humanos e a natureza, construindo visões e rotas alternativas para o futuro.

Esta foi essencialmente a tônica da COP 26, a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada entre 1 e 12 de novembro de 2021 na cidade de Glasgow, na Escócia. A agenda da conferência demonstra que nunca se empreendeu um esforço coletivo mais ambicioso que reduzir emissões e estabilizar o clima do planeta. Há abundantes evidências de que a ação humana é a principal causa da crise climática e se quisermos um planeta habitável no futuro, países, indústrias e setores devem se descarbonizar com urgência.

É interessante notar que a cada nova cúpula do clima, dados e evidências se acumulam indicando que o negacionismo climático se tornou arriscado demais, inibindo ações concretas e eficazes para preparo dos nossos sistemas econômicos, naturais e políticos para lidar com os choques e consequências das mudanças em curso. Mudanças já abundantemente comprovadas pela ciência como reais e potencialmente catastróficas para a humanidade.

Dentre os setores mais pressionados por esta realidade está a agricultura, a ponto do Secretário de Agricultura americano, Tom Vilsack, ter admitido em Glasgow que a crise climática não é um problema para o futuro, mas uma ameaça do presente que está a exigir mudanças de trajetória na produção agrícola. Uma alteração significativa de postura dos EUA, considerando que em 2017 o então presidente americano Donald Trump anunciou a saída do Acordo de Paris, efetivada em 2019. O fato é que um olhar atento às discussões e debates da COP 26 aponta para uma conclusão geral – de que transformar e acelerar a inovação na busca de uma agricultura descarbonizada e resiliente é um objetivo que deve ser perseguido por todos, em especial pelas grandes nações agrícolas, como o Brasil.

Na verdade, o nosso país tem razões de sobra para se preocupar com a conformação da sua agenda climática e com as expectativas e metas de descarbonização em âmbito global. As temáticas relacionadas a desmatamento ilegal e à integridade de biomas sensíveis e críticos para toda a humanidade, como a Amazônia, colocam o país em enorme evidência. Evidência que enseja intenso escrutínio sobre as questões ambientais brasileiras, nem sempre com narrativas e avaliações corretas e justas. Infelizmente já está internacionalmente disseminada a visão de que “o Brasil está contra o mundo” na questão climática, o que exige de nós mais esforços em inteligência estratégica e diplomacia.

Por isso temos pela frente o enorme desafio de seguir superando passivos – avançando na descarbonização dos sistemas produtivos, combatendo o desmatamento ilegal e a perda de biodiversidade – ao mesmo tempo buscando estratégia mais sábia para desmistificar preconceitos e fortalecer a imagem da agricultura brasileira perante o mundo. Já está claro que o discurso, também equivocado, de que “o mundo está contra o Brasil” não funciona, e só contribui para agravar oposição, pessimismo e negativismo, além de favorecer narrativas baseadas em emoções e subjetividade.

Voltando ao pensamento de Heráclito – de que “nada é estático, tudo se move, tudo muda”, o que precisamos é buscar formas criativas de mostrar aos brasileiros e ao mundo que a nossa agricultura não está parada no tempo, mas em intenso processo de transformação, na busca de sintonia com a agenda global pela sustentabilidade. E como vivemos em um tempo dominado por mídias de tempo real e táticas de influência e desinformação poderosas e destrutivas, é imperativo seguirmos investindo numa agricultura fortemente baseada em ciência, gerando dados e evidências sólidos, que são as armas capazes de vencer a desinformação e o negacionismo.

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