Em coletiva, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, denunciou queda no volume de investimentos, alta dos custos e manipulação de dados sobre renúncia fiscal no lançamento do Plano Safra 2025/26
FPA critica Plano Safra 25/26 e alerta para juros altos e corte de investimentos no agronegócio

Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (01), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentou críticas contundentes ao anúncio oficial do Plano Safra 2025/26. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, afirmou que o programa anunciado pelo governo federal não atende às necessidades reais do setor agropecuário e que parte das informações divulgadas sobre subsídios e renúncias fiscais seria “manipulada” para criar uma falsa impressão de patrocínio estatal ao agronegócio.
Lupion destacou que, apesar do crédito recorde de R$ 516,2 bilhões anunciado para a agricultura empresarial, o montante destinado aos investimentos caiu 5,41%, passando de R$ 107,3 bilhões para R$ 101,5 bilhões, o que, segundo ele, desestimula projetos de longo prazo. “O produtor não vai atrás de crédito com esses juros e essas condições”, declarou.
O presidente da FPA também criticou a alta da taxa Selic, hoje em 15%, que pressiona o custo de equalização de juros pelo Tesouro Nacional e agrava o risco de encarecimento dos alimentos. “Sem cortes efetivos de gastos e com desequilíbrio fiscal, a política monetária se endurece, o crédito encarece, a produção sofre e o preço dos alimentos sobe”, afirmou.
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Outro ponto polêmico foi a tributação das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que financiam quase metade do crédito rural. “Essa medida vai comprometer a competitividade e afastar investidores”, alertou Lupion. Ele reiterou que a maior parte das renúncias fiscais atribuídas ao agro, como as isenções sobre a cesta básica, são, na verdade, benefícios sociais que não impactam diretamente o setor produtivo.
Por fim, Lupion cobrou medidas estruturais de redução de gastos públicos, modernização da gestão e preservação da previsibilidade tributária, como forma de reequilibrar o crédito rural e conter a inflação. Segundo ele, a combinação de descontrole fiscal e alta dos juros deve elevar em R$ 58 bilhões os custos do produtor rural na próxima safra.





















