Diretor da companhia na América Latina alerta para impactos de tarifas, políticas desalinhadas e necessidade de diálogo para estabilidade dos negócios
“É hora de repensar o papel do Brasil na reorganização global”, diz executivo da John Deere

A crescente volatilidade do comércio internacional e a imposição de tarifas em diferentes blocos econômicos exigem uma nova postura das empresas e dos governos. Essa foi a avaliação de Alfredo Miguel, Diretor de Assuntos Corporativos, Comunicações e Cidadania para América Latina da John Deere, ao destacar a necessidade de reorganização da cadeia global de fornecimento e de políticas públicas alinhadas à realidade do mercado.
Segundo Miguel, a John Deere, presente em 70 países e com exportações brasileiras para mais de 55 destinos, precisa repensar estratégias para manter a estabilidade do negócio. “Uma empresa global como a nossa está com a cadeia integralmente conectada. Muitas vezes, o mesmo fornecedor no Brasil também exporta para os Estados Unidos e outros mercados. Nesse cenário, precisamos discutir de onde tirar esse fornecimento e para onde direcionar nossas vendas”, afirmou.
Para ele, a solução passa pela diplomacia. “Nunca vivemos uma situação como essa. A questão é entender se o problema está, de fato, nas tarifas ou se elas são apenas consequência de algo maior. Precisamos sentar à mesa com a verdade dos fatos e discutir relações com BRICs, comunidade europeia, Mercosul, Canadá, Rússia, Irã e também o papel do dólar”, ressaltou.
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Ele também sugeriu uma organização e união das associações do agro, de forma que o setor realmente tenha força para atuar em bloco nas negociações internacionais.
Miguel reforçou ainda que o setor privado deve buscar competitividade apesar dos desafios. “Temos que nos reorganizar em custos, fornecimento e exportação. Mas no Brasil, isso é especialmente complexo. Além do chamado ‘custo Brasil’, convivemos com importações, como de máquinas agrícolas vindas da China, ao mesmo tempo em que somos obrigados a atender regras de conteúdo local. São políticas que não convergem e impactam a indústria nacional”, avaliou.
O executivo defendeu que governo e empresas atuem de forma conjunta na definição de políticas públicas. “É hora de sentar e discutir qual será a estratégia do Brasil diante dessa reorganização global, que hoje está em desordem”, concluiu.
As declarações foram feitas durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado em São Paulo.





















