Saiba mais sobre o diagnóstico da CNA sobre a crise do endividamento no agronegócio e as propostas para revisão de crédito
CNA aponta maior nível de endividamento da história e defende revisão de crédito

O agronegócio brasileiro atravessa um momento de fragilidade financeira sem precedentes, marcado pela convergência de fatores negativos que pressionam a rentabilidade do produtor. O diagnóstico foi apresentado por Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante o 5º Brasília Summit, realizado nesta quarta-feira (3). Ao palestrar no painel sobre segurança jurídica e crédito, Lucchi revelou que o índice de inadimplência no crédito livre saltou de 3,54% em outubro de 2024 para alarmantes 11,4%, o maior valor da série histórica, superando com folga o pico anterior de 5,91% registrado em 2017.
A tempestade perfeita que atinge o setor é composta por uma queda abrupta nos preços das commodities e prejuízos climáticos severos. Lucchi exemplificou a perda de receita citando a soja, cuja saca despencou de R$ 210 em 2021 para patamares atuais próximos a R$ 110. Somam-se a isso as perdas climáticas acumuladas de 2013 a 2024, que totalizaram R$ 732 bilhões, sendo 57% desse montante concentrado na agricultura e pecuária. A situação é agravada pelo desmonte da rede de proteção: a área segurada no país deve fechar 2025 em apenas 3 milhões de hectares (menos de 5% da área produtiva), um recuo drástico frente aos 14 milhões de hectares cobertos em 2021.
Gargalos no Plano Safra e a “Indústria da RJ”
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Apesar da disponibilidade teórica de recursos no Plano Safra, o dinheiro não está chegando à ponta. Entre julho e outubro, as contratações registraram uma retração de 17%, um dos piores desempenhos dos últimos cinco anos. O diretor da CNA atribui esse travamento às exigências bancárias mais rígidas, à Selic elevada e à alta alavancagem dos produtores. O custo efetivo do crédito disparou: um produtor do Pronaf, por exemplo, que deveria acessar taxas de 6,5% ao ano, acaba pagando um custo final de 22,5% em operações de custeio de milho devido aos custos de transição.
Outro ponto crítico abordado foi o uso distorcido da Recuperação Judicial (RJ). Lucchi criticou o que chamou de “indústria da RJ”, que induz produtores a utilizarem o mecanismo sem a devida compreensão das consequências restritivas para o acesso futuro a crédito. Para o executivo, a solução passa pelo aperfeiçoamento normativo e não apenas pela lei em si. Com perspectivas de preços estagnados para o próximo ano e a ameaça de um novo La Niña, a CNA defende a busca urgente por mecanismos que fortaleçam o sistema de crédito e reduzam a insegurança jurídica, antes que a redução nos pacotes tecnológicos comprometa ainda mais a produtividade nacional.
Referência: CNA





















