Saiba como o Instituto de Pesca participa do projeto Brasil–Chile sobre resistência antimicrobiana e nanoplásticos na Antártica
Instituto de Pesca integra projeto Brasil–Chile para investigar resistência antimicrobiana e nanoplásticos na Antártica

O Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, participa de um ambicioso projeto binacional entre Brasil e Chile que irá investigar a presença de bactérias resistentes a antibióticos e de contaminantes emergentes, como os nanoplásticos, em ecossistemas da Antártica.
A iniciativa, chamada Latin American Antarctic Research Consortium on Antimicrobial Resistance and Emerging Contaminants (LARCARE), é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e pela Agencia Nacional de Investigación y Desarrollo (ANID). O estudo é estratégico para avaliar riscos potenciais à segurança dos produtos pesqueiros e à saúde pública, alinhando-se ao conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental na avaliação de riscos globais.
Foco no pescado e na segurança alimentar
Com reconhecida experiência em saúde animal, ecotoxicologia aquática e segurança dos alimentos, o Instituto de Pesca terá papel central nas frentes relacionadas a organismos marinhos, como moluscos bivalves e peixes, considerados sentinelas ideais para monitorar a contaminação ambiental e seus possíveis reflexos na cadeia pesqueira.
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A participação no consórcio posiciona São Paulo e o Brasil na vanguarda de pesquisas que conectam a saúde de ecossistemas polares remotos à qualidade e à segurança dos alimentos que chegam ao consumidor. Os resultados deverão subsidiar políticas públicas de vigilância sanitária, normas de biosseguridade e boas práticas para os setores pesqueiro e aquícola.
Segundo o pesquisador do IP, Edison Barbieri, os riscos são concretos: “Os nanoplásticos funcionam como ‘cavalos de Troia’, capazes de transportar poluentes e bactérias para dentro de peixes e moluscos que podem chegar ao nosso prato. O mesmo vale para bactérias resistentes a antibióticos, que representam um sério desafio à saúde pública. O que acontece na Antártica não fica na Antártica.”
O que o projeto vai investigar
O LARCARE irá analisar a presença e os efeitos ecotoxicológicos de nanoplásticos em organismos filtradores da fauna bentônica antártica, avaliando o risco de transferência desses contaminantes ao longo da cadeia alimentar marinha. Outro eixo central é a identificação e caracterização de bactérias resistentes a antibióticos em espécies da fauna antártica, incluindo aves marinhas, pinípedes e invertebrados.
O Instituto de Pesca também atuará na avaliação dos riscos de disseminação desses microrganismos ou de seus genes de resistência para ambientes costeiros, com possíveis impactos sobre a pesca e a aquicultura. Paralelamente, o consórcio buscará novas soluções biotecnológicas, como probióticos e bacteriocinas, a partir da biodiversidade microbiana antártica, com potencial aplicação no controle de patógenos na aquicultura.
As análises utilizarão técnicas avançadas de biologia molecular e detecção de partículas microscópicas. Parte dos estudos será realizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas (SP), utilizando o Sirius, o único acelerador de partículas da América Latina. Amostras da Antártica serão comparadas com material coletado em áreas costeiras do Brasil e do Chile, oferecendo um panorama inédito sobre a dispersão da poluição e da resistência antimicrobiana nos oceanos.
Sobre o Instituto de Pesca
O Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica ligada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), com a missão de desenvolver soluções científicas, tecnológicas e inovadoras para o desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura no Brasil.
Referência: GOV




















