Inclusão do pescado em acordos sanitários recentes reflete esforço diplomático para reduzir dependência do mercado interno e mitigar pressão de custos
Abertura de 700 mercados consolida nova fase de internacionalização da aquicultura

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) confirmou nesta terça-feira (15) a inclusão de produtos de pescado no marco histórico de 700 novos mercados internacionais abertos pelo Brasil desde o início de 2023. A expansão reflete uma mudança estrutural na política comercial do setor, evidenciando os esforços sanitários e diplomáticos do governo federal para diversificar os destinos das exportações aquícolas brasileiras e reduzir a dependência histórica do consumo doméstico. Esta marca representa um divisor de águas para cadeias emergentes que buscam consolidação global, alinhando o pescado ao mesmo patamar de agressividade comercial já observado nas carnes bovina, suína e de frango.
A internacionalização da cadeia do pescado ganha tração em um momento crítico para a rentabilidade da atividade primária. Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), o setor produtivo continua severamente pressionado pelos altos custos de produção, o que torna a via exportadora uma necessidade estratégica, e não apenas uma alternativa de escoamento. A nutrição, baseada fortemente em milho e farelo de soja, dita o ritmo das margens. Portanto, acessar países com moedas fortes funciona como um hedge natural contra a volatilidade dos insumos cotados em dólar no mercado interno. O acesso a novos mercados permite que as indústrias processem volumes maiores, diluindo custos fixos e buscando prêmios de qualidade em destinos que remuneram melhor a proteína certificada.
Os resultados práticos desta ofensiva diplomática já são mensuráveis nos indicadores de curto prazo. Em setembro, as exportações brasileiras de tilápia registraram um crescimento robusto de 32%, atingindo 852 toneladas embarcadas, contra 646 toneladas no mês de agosto. Além do volume, a qualidade do acesso aos mercados maduros tem sido preservada. Os Estados Unidos, principal comprador da tilápia nacional, decidiram manter o filé fresco brasileiro isento de uma sobretaxa de 25%, garantindo a competitividade do produto de maior valor agregado da cadeia. A isenção tarifária norte-americana traz segurança jurídica para os contratos de fornecimento de longo prazo, permitindo que os frigoríficos planejem suas escalas de abate com maior previsibilidade financeira.
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A consolidação deste movimento de internacionalização exige, contudo, contrapartidas estruturais do setor privado. A abertura formal de mercados por meio de certificados sanitários internacionais precisa ser acompanhada por investimentos em rastreabilidade, certificações de bem-estar animal e adequação de plantas frigoríficas às exigências específicas de cada bloco econômico. A sustentabilidade ambiental das operações de cultivo também emerge como um critério não tarifário decisivo para a efetivação das vendas, especialmente para compradores da União Europeia e do varejo norte-americano. O desafio da aquicultura brasileira nos próximos anos será converter o acesso diplomático em fluxo comercial contínuo, competindo com players asiáticos tradicionais em mercados de alta exigência técnica.
Da Redação























