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Influenza Aviária

Crise da Influenza Aviária na América Latina e Caribe: lições, impactos e caminhos para o futuro

Pela primeira vez, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresenta um relatório técnico que analisa em profundidade o impacto da influenza aviária de alta…
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Crise da Influenza Aviária na América Latina e Caribe: lições, impactos e caminhos para o futuro

Pela primeira vez, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresenta um relatório técnico que analisa em profundidade o impacto da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), subtipo H5N1, na América Latina e no Caribe. A publicação, que cobre o período de outubro de 2022 a setembro de 2024, traz um panorama detalhado dos desafios enfrentados pela região após a introdução do vírus e aponta caminhos para o fortalecimento da resposta sanitária regional.

Um ponto de inflexão: a chegada da IAAP à região

Embora a influenza aviária já fosse conhecida em sua forma de baixa patogenicidade na América Latina desde o início dos anos 2000, foi somente em outubro de 2022 que a região registrou, pela primeira vez, a presença da cepa H5N1 altamente patogênica. Desde então, o vírus se espalhou rapidamente, afetando não apenas aves domésticas e selvagens, mas também mamíferos marinhos, animais de estimação e até humanos com exposição direta a animais infectados.

Países como Brasil, Chile e Peru se destacaram entre os mais afetados, com múltiplos surtos em aves e animais selvagens. Argentina e Peru lideraram os registros entre aves domésticas, enquanto países da América Central e do Caribe enfrentaram episódios mais pontuais.

Impacto na produção e na segurança alimentar

A produção avícola é vital para a segurança alimentar e econômica na América Latina e no Caribe. A expansão da IAAP comprometeu a disponibilidade de proteína animal, ameaçou a subsistência de pequenos e médios produtores e impactou a biodiversidade de ecossistemas costeiros e úmidos.

A resposta imediata foi coordenada com o apoio da FAO, que ativou seu Programa de Cooperação Técnica e o Fundo Especial para Emergências em 11 países, além de apoiar iniciativas em nações como República Dominicana, Guatemala e El Salvador. As ações incluíram fortalecimento dos serviços veterinários, fornecimento de suprimentos, zoneamento, biossegurança, vacinação emergencial e capacitação técnica.

Vacinação e cooperação: novos paradigmas

Até 2022, poucos países da região usavam a vacinação como estratégia de controle. Com a crise, Bolívia, Equador, Peru e Uruguai passaram a adotar a imunização como ferramenta complementar, sempre acompanhada de vigilância epidemiológica e medidas de biossegurança. A FAO recomenda que decisões sobre vacinação sejam tomadas em momentos de estabilidade sanitária, evitando medidas precipitadas durante surtos.

A organização também destaca a importância da abordagem de Saúde Única — que integra saúde animal, humana e ambiental — e defende a criação de grupos interdisciplinares que envolvam setor público, privado e acadêmico.

Lições aprendidas: falhas e avanços

O relatório evidencia que muitos países não estavam preparados para uma emergência sanitária dessa magnitude. Houve falhas na padronização de registros epidemiológicos, escassez de pessoal treinado e falta de protocolos harmonizados, o que dificultou a coordenação regional e o controle efetivo da doença.

Além do impacto econômico e ecológico, o surto causou preocupação social, com alta mortalidade de aves e mamíferos gerando alarme entre moradores e turistas. A resposta adequada nesses casos inclui identificação de espécies afetadas, coleta de amostras, avaliação de riscos e comunicação com o público sobre a importância de não manusear animais mortos.

O futuro da vigilância sanitária na região

Diante do cenário vivido, a FAO recomenda o fortalecimento dos sistemas de saúde animal, a construção de protocolos de resposta claros, a elaboração de planos de vacinação emergencial e a criação de mecanismos de compensação para produtores afetados — especialmente os mais vulneráveis.

A crise da gripe aviária se apresenta como um alerta para a necessidade urgente de integração regional, preparação técnica e políticas sustentadas sob o enfoque da Saúde Única. O fortalecimento da colaboração internacional e da articulação público-privada emerge como pilar central para o enfrentamento de futuras ameaças zoonóticas.

Leia o relatório completo:

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