Redução em granjas contrasta com alta circulação viral na fauna silvestre e mantém alerta no setor avícola
Influenza aviária: Europa registra avanço em aves selvagens e primeiro caso humano de H9N2

Os casos de influenza aviária altamente patogênica (IAAP) em granjas europeias apresentaram leve recuo na última semana, mas o avanço da doença em aves selvagens mantém o nível de alerta elevado para a avicultura. O cenário é agravado pelo registro do primeiro caso humano da variante H9N2 na Europa.
Entre 26 de março e 1º de abril, cinco surtos foram confirmados em estabelecimentos comerciais de quatro países — Itália, Bulgária, República Tcheca e Polônia — segundo o sistema de monitoramento da Comissão Europeia.
No acumulado de 2026, já são 209 surtos em granjas comerciais de 16 países, todos associados ao sorotipo H5N1. A Polônia lidera com 52 ocorrências, seguida por Alemanha (38) e Itália (19).
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Impacto direto na produção avícola
Somente na Polônia, oito granjas foram afetadas nas últimas semanas, envolvendo desde patos reprodutores até galinhas poedeiras e perus. Em 2026, o país já contabiliza 58 surtos, com impacto direto em 4,45 milhões de aves, considerando mortalidade e abate sanitário.
Na Itália, novos registros elevaram o total anual para 19 casos, enquanto Bulgária e República Tcheca também confirmaram focos recentes em diferentes sistemas produtivos.
Aves selvagens sustentam disseminação do vírus
Apesar da redução pontual em granjas, a circulação viral segue intensa em aves selvagens. No mesmo período analisado, 14 países relataram 164 novos surtos, com destaque para Alemanha (93 casos), Dinamarca (36) e Polônia (10).
No acumulado de 2026, já são 2.194 registros nessa população, evidenciando que a migração de primavera continua sendo um fator crítico para a disseminação da doença.
Flexibilização de medidas no Reino Unido
Diante da redução do risco em algumas regiões, o Departamento de Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) anunciou a flexibilização do confinamento obrigatório de aves na Inglaterra e no País de Gales a partir de 9 de abril.
Mesmo com a liberação gradual, permanecem obrigatórias medidas rigorosas de biossegurança, especialmente em zonas de proteção e monitoramento.
Primeiro caso humano de H9N2 na Europa
O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças confirmou o primeiro caso humano de H9N2 na Europa, registrado na Itália. O paciente, que esteve recentemente fora do continente, segue em tratamento e isolamento.
Desde 1998, foram identificados 195 casos humanos desse subtipo em países da África e da Ásia, com baixa taxa de letalidade. Ainda assim, autoridades reforçam o monitoramento diante do potencial zoonótico.
Setor avícola mantém vigilância elevada
Mesmo com a redução recente em granjas, especialistas avaliam que ainda é prematuro relaxar os protocolos sanitários. A persistência do vírus em aves selvagens e a intensificação das migrações sazonais mantêm o risco de novos surtos, exigindo atenção contínua da cadeia produtiva avícola europeia.
Referência: WATTAgnet





















