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Indústria de carnes aposta na Copa do Mundo para impulsionar vendas no Brasil

Empresas projetam crescimento expressivo durante o torneio e veem evento como oportunidade para ampliar consumo

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Indústria de carnes aposta na Copa do Mundo para impulsionar vendas no Brasil

As maiores produtoras de frango e carne bovina do Brasil projetam um aumento significativo nas vendas com a proximidade da Copa do Mundo de futebol masculino, que começa em pouco mais de uma semana. O evento é visto como um importante motor de consumo e, no caso da carne bovina, pode representar um ponto de inflexão no consumo per capita no país.

A Sadia, marca de aves e suínos da MBRF e patrocinadora oficial da seleção brasileira, estima que a demanda por seus produtos durante o torneio alcance níveis comparáveis aos registrados em datas tradicionais do varejo, como o Dia das Mães e o fim de ano. A empresa também firmou acordo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030 para fornecimento de proteínas aos atletas da seleção principal e de outras 19 equipes ligadas à entidade.

A expectativa é de entrega de cerca de duas toneladas mensais para aproximadamente 160 integrantes das equipes, o que pode totalizar quase 100 toneladas ao longo de quatro anos. Segundo o diretor-executivo da MBRF, Miguel Gularte, a ligação com a seleção amplia o potencial da marca. “A seleção, independentemente do período, é uma paixão nacional. Por isso, estamos muito felizes de ver nossa marca ligada à seleção, ainda mais agora com a Marfrig e a BRF em uma empresa única, as oportunidades são potencializadas”, afirma.

Após um primeiro trimestre de retração de 5,5% nas vendas domésticas, a BRF aposta no torneio como um dos principais vetores de crescimento em 2026. A projeção é elevar em até 50% o volume comercializado durante a Copa, na comparação com a edição de 2022, impulsionada principalmente por produtos como linguiças, salames, empanados e itens voltados ao churrasco.

Estratégia

O otimismo das empresas é sustentado também pelo comportamento recente dos consumidores. Dados da plataforma Winnin indicam que o engajamento nas redes sociais relacionado à Copa saltou de cerca de 20 milhões de interações mensais no início do ano para 240 milhões em maio. Para aproveitar esse cenário, a Sadia lançou 20 produtos temáticos e estruturou ações promocionais com brindes oficiais da seleção.

A Seara, da JBS, também projeta crescimento nas vendas, com expectativa de alta de 40% em relação à Copa anterior. A estratégia da empresa neste ano é reforçar o conceito do “primeiro tempo do churrasco”, com foco em produtos como linguiças, carnes de frango e suína, além de kits especiais inspirados nos tradicionais kits de fim de ano.

“O churrasco brasileiro tem dois momentos. Tem a abertura, que é a linguiça, o frango, o suíno, às vezes um pão de alho, o petisco. Depois vai para o bovino. Fazendo alusão ao futebol, estamos dando foco na ideia de que o primeiro tempo do churrasco é tão importante quanto o segundo”, afirma o presidente da Seara, João Campos.

No segmento de carne bovina, a Friboi, também da JBS, trabalha com uma base de consumo já superior à observada na Copa de 2022 e projeta crescimento adicional de 10% nas vendas durante o mundial. Em dias de jogos, a expectativa é de um incremento de pelo menos 20% na comercialização em comparação a períodos sem partidas.

De acordo com o diretor executivo comercial da Friboi, Leonardo Monteiro, o torneio pode marcar uma mudança estrutural no consumo de carne bovina no Brasil. A empresa reforçou em 20% sua equipe de promotores de vendas nos supermercados para atender à demanda e sustentar o crescimento após o evento.

Outro fator considerado positivo pelas empresas são os horários dos jogos da seleção brasileira, programados para o período da noite na fase inicial, o que favorece encontros sociais, churrascos e consumo doméstico. Além disso, o aumento no número de partidas — de 64 para 104 jogos — também amplia as oportunidades de consumo ao longo do torneio.

Fonte: JBS/MBRF

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