Setor avícola no Norte da África enfrenta prejuízos históricos, risco de falência de produtores e desinformação nas redes sociais
Boatos sobre qualidade e queda de preços assolam Marrocos e Egito

Os avicultores do Marrocos e do Egito acenderam o sinal de alerta máximo diante de uma forte queda nos preços do frango e dos ovos, que despencou a rentabilidade do setor. A crise é parcialmente atribuída a preocupações e boatos sobre a qualidade dos produtos, que se espalharam pelo mundo árabe nas últimas semanas.
Atualmente, os produtores enfrentam prejuízos crescentes à medida que os preços do frango de corte caem muito abaixo dos custos reais de produção.
Prejuízos e Risco de Falência no Marrocos
A Associação Nacional de Criadores de Aves de Marrocos afirmou em comunicado recente que o preço de venda do frango vivo caiu para menos de 7 MAD (US$ 0,76) por quilo. Em contrapartida, os custos de produção atuais variam entre 15 MAD (US$ 1,62) e 17 MAD (US$ 1,84) por quilo.
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Essa disparidade crescente entre o custo e o valor de mercado resulta em perdas substanciais a cada ciclo de produção. Segundo a associação, o longo período de preços baixos enfraqueceu severamente a saúde financeira dos produtores, deixando-os sob extrema pressão econômica e sob alto risco de falência.
O Cenário Alarmante na Avicultura do Egito
As dificuldades dos produtores marroquinos refletem um desafio mais amplo na indústria avícola do Norte da África, atingindo também o vizinho Egito.
De acordo com o Dr. Abdel Aziz El-Sayed, chefe da divisão de avicultura da Federação das Câmaras de Comércio do Egito, os preços atuais são preocupantes:
Ovos brancos e vermelhos: Vendidos nas granjas por cerca de 65 EGP (US$ 1,26) a cartela, chegando ao consumidor por 80-85 EGP (US$ 1,56 – US$ 1,65).
Ovos caipiras locais: Vendidos nas granjas por aproximadamente 80 EGP a cartela e comercializados no varejo por cerca de 90 EGP (US$ 1,75).
Fake News e Boatos sobre Hormônios Derrubam as Vendas
Em grande parte, a atual crise da avicultura no Norte da África está associada a rumores de que os frangos são alimentados com hormônios e outras substâncias potencialmente nocivas. Essas falsas alegações se espalharam rapidamente em publicações de língua árabe e redes sociais nas últimas semanas.
O surto de desinformação começou em maio, no Iêmen, onde meios de comunicação locais alertaram sobre supostos perigos na carne de frango e nos ovos, citando fontes anônimas. Como consequência, o preço médio do frango no Iêmen despencou quase 20% em poucos dias, com os consumidores rejeitando os produtos.
Segundo El-Sayed, boatos desse tipo surgem na região a cada três anos, em média. No entanto, desta vez o impacto nas vendas foi tangível e perigoso. “Há muita especulação nas redes sociais, o que gerou um estado de confusão na sociedade egípcia. Isso é ilógico, pois a avicultura é um porto seguro que fornece proteína de qualidade a um bom preço”, destacou El-Sayed.
Fonte: Poultry World























