Para o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná a queda nos juros é positiva, mas corte em programas de investimento acende alerta
Sistema Ocepar analisa Plano Safra 2026/2027

O Sistema Ocepar, por meio de sua Gerência de Desenvolvimento Técnico (Getec), divulgou uma análise detalhada sobre o anúncio do Plano Safra 2026/2027 voltado para a Agricultura Empresarial. Embora o montante global de R$ 525,10 bilhões represente um avanço nominal de 1,7% (mais R$ 8,9 bilhões) em relação ao ciclo anterior, a entidade cooperativista mapeou pontos críticos que demandam a atenção do setor produtivo e das cooperativas.
Por um lado, a nota técnica reconhece o esforço fiscal na redução generalizada das taxas de juros, impulsionada pelo aumento do volume de recursos para equalização pelo Tesouro Nacional, que subiu de R$ 3,9 bilhões para R$ 5,6 bilhões. Por outro, o relatório acende o sinal de alerta para o encolhimento de verbas carimbadas em programas de modernização e armazenamento, além do avanço de linhas com juros livres de mercado.
Redução do custo financeiro é o principal avanço
A queda nas taxas de juros, que recuaram entre 0,5 e 1,5 ponto percentual (p.p.) dependendo da linha, foi apontada como o principal benefício do novo plano para aliviar as margens dos produtores.
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As taxas de custeio foram ajustadas da seguinte forma:
Pronamp (Médio Produtor): Passou de 10,0% para 9,0% ao ano (recuo de 1,0 p.p.), contando com um orçamento de R$ 72,6 bilhões.
Demais Produtores: Passou de 14,0% para 12,5% ao ano (redução de 1,5 p.p.), com orçamento de R$ 452,5 bilhões (compartilhado com cooperativas).
Outro destaque positivo da análise é o programa “Campo + Sustentável”, que premiará a regularização ambiental (CAR) e a adoção de práticas sustentáveis com descontos cumulativos de até 0,5 p.p. cada, podendo reduzir em até 1,0 p.p. o custo final do juro de custeio.
Os pontos de atenção e gargalos para as Cooperativas
Apesar do incremento de 38,1% no bolo total de investimentos (saltando de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões), a Ocepar revelou uma distorção preocupante: quase todas as linhas de investimento tradicionais e com juros controlados sofreram cortes severos de orçamento.
A expansão do total de investimentos foi sustentada quase que integralmente pelo salto de 85% nos recursos com juros livres (que subiram para R$ 40 bilhões) e pelos Juros Controlados não Equalizados (+81%, somando R$ 55 bilhões). As principais linhas de fomento produtivo encolheram:
Armazenagem e Logística (PCA): A linha geral do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns recuou 24% (de R$ 4,5 bilhões para R$ 3,4 bilhões) e o PCA voltado para estruturas de até 12.000 toneladas encolheu 32%.
Maquinários (Moderfrota): Teve forte retração de 61%, caindo de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões.
Inovação e Irrigação: O Inovagro e o Proirriga sofreram cortes de 38% cada em suas disponibilidades de recursos.
Impacto Direto nas Cooperativas e Médios Produtores
A análise da Getec/Ocepar enfatizou o impacto negativo da redução de recursos nas linhas específicas para o ecossistema cooperativo, mesmo com a melhora na taxa de juros (que caiu de 13,5% para 12,0% ao ano):
O Prodecoop (desenvolvimento de cooperativas) sofreu redução de 32% nos recursos, caindo para R$ 1,3 bilhão.
O Procap-Agro (capital de giro para cooperativas) recuou 24%, caindo para R$ 0,8 bilhão.
Além disso, o plano manteve o teto de renda bruta anual em R$ 3,5 milhões para enquadramento no Pronamp, deixando de atualizar o limite frente à inflação de custos do setor. O relatório finaliza apontando o risco da redução real de R$ 30 bilhões no faturamento de Custeio e Comercialização das fontes tradicionais, além da ausência total de informações sobre as diretrizes de renegociação de dívidas vigentes e sobre o orçamento para a Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A Ocepar informou que aguarda a publicação oficial das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) para detalhar as regras operacionais finais aos seus associados.
Fonte: Ocepar























