Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↓ R$ 69,20 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 153,90 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↑ R$ 161,27 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 8,50 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 5,78 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,13 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,37 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,21 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,24 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 132,51 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 133,05 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 144,11 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 147,25 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 124,34 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 137,51 / cx
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,31 / kg
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,28 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↑ R$ 1.536,73 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↑ R$ 1.447,51 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 154,27 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 126,99 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↑ R$ 143,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↑ R$ 157,69 / cx
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Agronegócio

Especialistas alertam: avicultura brasileira precisa liderar a governança sanitária global para evitar novas barreiras

Em artigo publicado na revista Avicultura Industrial, Jogi Humberto Oshiai e Maria Eduarda Blaiklock defendem que o país precisa superar postura reativa e agir diretamente nos centros de decisão, como Bruxelas

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Especialistas alertam: avicultura brasileira precisa liderar a governança sanitária global para evitar novas barreiras

O Brasil consolidou sua posição como um gigante agroalimentar, sendo o líder absoluto nas exportações globais de carne de frango e responsável por alimentar cerca de 800 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, para garantir o futuro e a competitividade do setor, o país precisa dar um passo crucial: deixar de ser apenas um protagonista produtivo e assumir a liderança na governança sanitária e regulatória global.

O alerta foi feito pelo especialista em diplomacia corporativa Jogi Humberto Oshiai (CEO do LIDE Belgium e diretor da BEST) e por Maria Eduarda Blaiklock (especialista em negociações SPS e ex-adida agrícola na Tailândia), em artigo de análise internacional escrito em colaboração direta de Bruxelas e Lisboa.

De acordo com os autores, o cenário do comércio global mudou drasticamente. As tradicionais negociações multilaterais têm sido frequentemente substituídas por exigências unilaterais, critérios ambientais rigorosos e as chamadas “medidas-espelho” — normas domésticas de países importadores impostas aos fornecedores externos.

O caso da União Europeia e a mudança no eixo regulatório

Os especialistas usam um caso recente para ilustrar a urgência dessa mudança de postura. Em maio de 2026, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco (com efeitos a partir de 3 de setembro de 2026), por considerar que o país não oferecia garantias documentais suficientes sobre o controle de antimicrobianos.

O ponto crítico, destacam Oshiai e Blaiklock, é que a decisão europeia não questionou a segurança ou a qualidade da carne brasileira, mas sim critérios de rastreabilidade e certificação.

“O eixo regulatório se desloca do produto para o processo. Quem não conseguir documentar o processo inteiro perde acesso, ainda que o produto final seja seguro. A sanidade animal deixou de ser uma questão meramente técnica e passou a integrar a geopolítica global do comércio”, apontam os autores no artigo.

Superando a postura reativa no cenário internacional

Apesar de o Brasil contar com um dos sistemas de defesa agropecuária mais eficientes do mundo — estruturado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Embrapa e governos estaduais —, os autores apontam que o país ainda sofre de uma postura tímida no cenário internacional, descrita por eles como uma “síndrome de vira-lata” aplicada ao debate técnico.

Para os analistas, o Brasil dispõe de ciência e tecnologia de ponta para sustentar suas decisões sanitárias. O grande gargalo, portanto, reside na capacidade de transformar esse conhecimento em influência política e regulatória nos principais fóruns mundiais, como a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e o Codex Alimentarius.

A importância do “lobby regulatório” e o papel da BEST

O artigo enfatiza que as regras que ditam o comércio de alimentos são desenhadas nas etapas iniciais de debates técnicos em capitais como Bruxelas, Paris e Genebra. Por isso, a presença institucional permanente e o advocacy técnico (defesa de interesses baseada em evidências científicas) tornaram-se ferramentas de sobrevivência comercial.

Nesse sentido, Oshiai e Blaiklock destacam a atuação da BEST (Best Solution for Agri-Trade) e as iniciativas de debates promovidas pelo LIDE Belgium como fundamentais para preencher essa lacuna. A proposta da entidade é atuar diretamente na inteligência regulatória, antecipando tendências e conectando cientistas e líderes brasileiros aos formuladores de políticas na Europa antes que as normas virem leis.

Os autores concluem que, para manter sua relevância nas próximas décadas, entidades brasileiras, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), precisam profissionalizar e fortalecer de forma permanente sua representação técnica em Bruxelas. “A diferença entre liderar e ser liderado, daqui em diante, não estará na fazenda. Estará na mesa onde a regra é escrita”, finalizam.

Leia o artigo completo na Revista Avicultura Industrial:

AI – Edição 1344

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