Empresa de sementes e genética prevê 12 novas plataformas tecnológicas para milho, soja e trigo na próxima década, com primeiros lançamentos a partir da safra 2028/29
Vylor estreia independente da Corteva e aposta no Brasil e na edição gênica
A Vylor, companhia de sementes e genética que começou a operar de forma independente nesta quinta-feira (01/10), após a separação da Corteva, elegeu o Brasil como uma de suas prioridades para pesquisa e comercialização de novas tecnologias. As ações da empresa estrearam no mesmo dia na Bolsa de Nova York (NYSE), com o código VYLR.
De acordo com William Weber, presidente da unidade comercial Brasil e Paraguai, o país ocupa hoje a segunda posição em relevância para os negócios globais da companhia. “Brasil é um dos nossos focos de crescimento e onde estaremos desenvolvendo nossas novas tecnologias”, afirmou o executivo durante coletiva de imprensa em São Paulo.
Meta de um terço do mercado de licenciamento de soja
Outra frente de expansão no país é o licenciamento de tecnologias. O diretor de Marketing da Vylor, Anelcindo Souza, explicou que a empresa já detém participação de dois dígitos no mercado brasileiro de tecnologias licenciadas de soja e quer alcançar um terço desse segmento até 2030.
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A companhia estima seu portfólio de tecnologias em US$ 19 bilhões. Ao todo, são 12 novas plataformas em desenvolvimento para milho, soja e trigo, organizadas em quatro linhas de trabalho: controle de insetos, tolerância a herbicidas para manejo de plantas daninhas, resistência a doenças e tolerância a condições climáticas extremas. Parte desse pacote deve chegar ao mercado a partir da safra 2028/29, enquanto outros projetos têm previsão apenas para a próxima década.
Edição gênica como principal aposta
A edição gênica está entre as linhas prioritárias de pesquisa. Neste primeiro momento, os esforços estão voltados à resistência a doenças, mas o portfólio também inclui estudos ligados à maturidade dos grãos. Milho e soja abrem caminho por serem as culturas em que a empresa tem mais experiência, mas a ideia é ampliar o uso da ferramenta.
“Estamos colocando todas as nossas forças em edição gênica”, disse Souza, citando canola, arroz, trigo, sorgo e mostarda entre as culturas que poderão se beneficiar ao longo do tempo.
Weber afirmou que a Vylor mantém uma das maiores estruturas privadas do mundo nessa área. “Nós só ficamos atrás de um país inteiro, que é a China”, declarou. A base desse trabalho é uma biblioteca genética com mais de 1 milhão de linhagens, usada nos programas de melhoramento.
O que vem para cada cultura
Na soja, estão previstas quatro novas plataformas até 2035. Uma delas será desenvolvida especificamente para a América Latina, unindo genética e controle de insetos de amplo espectro. O pipeline também inclui resistência à ferrugem asiática e uma soja editada geneticamente para resistir a múltiplas doenças.
No milho, são sete plataformas a partir de 2028, incluindo uma tecnologia focada em produtividade e estabilidade de rendimento, um milho com resistência a múltiplas doenças via edição gênica e o milho de baixa estatura.
No trigo, a empresa planeja levar à América do Norte, no fim de 2027, um sistema para desenvolvimento de trigo híbrido que, segundo a Vylor, apresentou ganhos de produtividade e estabilidade em testes nos últimos anos.
Mostarda indiana e biocombustíveis
A companhia também avança para além das três grandes culturas. Neste ano, lança no Brasil a mostarda indiana, que se conecta à estratégia de biocombustíveis da empresa. A Vylor mantém uma joint venture com a bp para desenvolver matérias-primas destinadas à produção de SAF, o combustível sustentável de aviação.
Foco no longo prazo
Com a separação, a Vylor passa a concentrar suas operações em sementes, genética e biotecnologia. Segundo os executivos, a estratégia não mira resultados imediatos, mas programas de pesquisa e melhoramento de ciclo longo, com produtos que devem chegar ao campo gradualmente nos próximos anos.
Da Redação, com informações da CNN
























