O bloco aprovou os controles brasileiros sobre antimicrobianos, mas novas notificações da bactéria em cargas podem reduzir o alcance da reabertura, que será votada em 20 e 21 de outubro
Salmonella ameaça limitar a volta do frango brasileiro à União Europeia

A União Europeia mantém, por enquanto, as restrições às importações de carne de frango do Brasil. O governo brasileiro considera a medida temporária, e a decisão sobre a reabertura deve sair nos próximos dias. A votação está prevista para 20 e 21 de outubro no Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (SCoPAFF), em Bruxelas.
O cenário ficou mais favorável depois da auditoria da Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG SANTE). A auditoria aprovou os controles brasileiros sobre o uso de antimicrobianos, a rastreabilidade e a separação da produção destinada ao bloco. Ainda assim, um outro problema pode reduzir o efeito prático da reabertura: a Salmonella, segundo o Relatório Reservado.
Duas frentes diferentes
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A auditoria trata do sistema de controle brasileiro. A Salmonella, por outro lado, é verificada nas cargas que chegam à Europa. Em 2026, o sistema europeu de alerta rápido para alimentos (RASFF) registrou 46 notificações envolvendo carne e produtos de aves do Brasil. Só em 1º de outubro foram três novos registros, incluindo Salmonella spp. e Salmonella Typhimurium.
As consequências vão além da carga barrada. Os embarques podem ser retidos ou rejeitados e, em caso de reincidência, as regras europeias preveem inspeções mais rígidas e medidas contra os próprios frigoríficos exportadores. Para empresas como JBS/Seara e MBRF, isso significa que a aprovação no SCoPAFF não elimina o risco regulatório. O tamanho do mercado que poderá ser recuperado vai depender do desempenho das cargas nos controles europeus.
O mercado europeu movimentava cerca de € 625 milhões por ano com o frango brasileiro, e o Brasil chegou a responder por aproximadamente um terço das importações de frango de fora do bloco. Para a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), a retomada exige adequações contínuas do setor para atender às exigências sanitárias europeias.
Novos mercados
Enquanto a Europa segue fechada, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou a abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros, incluindo Antígua e Barbuda, Chile, Argélia, China e Paraguai. A diversificação de destinos busca reduzir a dependência de poucos compradores e compensar fechamentos pontuais.
Da Redação
























