Durante evento do Sistema Ocepar, veterinária defendeu que o Brasil se antecipe às exigências do mercado e às novas regras da União Europeia
Bem-estar animal é estratégico e traz ganhos ao avicultor, afirma especialista

O avicultor brasileiro não deve esperar uma imposição da União Europeia, de ONGs ou de clientes para investir em bem-estar animal. A avaliação é da médica veterinária Ana Paula Oliveira Souza, especialista em avicultura de corte e bem-estar animal, que defende que o próprio setor produtivo lidere esse movimento. “Qual é a granja do futuro que o Brasil quer e precisa?”, provocou.
A especialista participou nesta quinta-feira (08/10) da Semana de Produção e Sanidade Animal das Cooperativas Paranaenses, evento online promovido pelo Sistema Ocepar, que reuniu cerca de 500 participantes entre gestores, técnicos, produtores e estudantes. Na palestra “Bem-estar animal: oportunidades sinalizadas pela ciência e pelo mercado”, ela afirmou que já existe convergência entre as demandas da indústria e as boas práticas apontadas pela ciência.
Segundo Ana Paula, o investimento também beneficia diretamente o produtor, com menor risco de doenças, menos perdas, mais ganhos e novas oportunidades de mercado.
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Novas regras europeias
A veterinária lembrou que a União Europeia deve formalizar até o fim deste ano a revisão das normas de bem-estar para galinhas poedeiras e frangos de corte, dentro da nova Estratégia para a Pecuária do bloco. Entre os pontos em discussão estão a transição gradual para sistemas sem gaiolas, a proibição de antibióticos como promotores de crescimento e a redução da densidade de alojamento.
Ela citou Noruega e Holanda como referências. Na Noruega, a mudança foi puxada pela indústria, que adotou luz natural nos aviários, reduziu a densidade e implantou controle térmico, cortando em 80% a mortalidade por frio e em 65% as perdas no transporte. A partir de 2027, o país também deve substituir voluntariamente as linhagens de crescimento rápido por aves de crescimento moderado.
Na Holanda, o movimento partiu do varejo. Hoje, 93% da carne de frango vendida nos supermercados é certificada em bem-estar animal. O país limitou a densidade a 12 aves por metro quadrado e reduziu em 80% o uso de antibióticos com a adoção de linhagens de crescimento moderado.
Oportunidade para o Brasil
Para a especialista, o momento abre espaço para o Brasil avançar e até liderar esse processo, sem necessidade de ruptura. “Não precisa acontecer tudo de uma vez. É importante identificar os requisitos que passam a ser exigidos e implementar de forma progressiva”, orientou.
Da Redação, com informações do Sistema Ocepar
























