Dilvo Grolli destaca o valor agregado das exportações de frango e suínos, a força do Paraná na produção de proteína animal e o papel da logística na competitividade do país
“Transformar grão em carne é o caminho para o Brasil crescer”, defende presidente da Coopavel na AveSui 2026

O Brasil precisa aproveitar o momento de maior demanda mundial por proteína animal para expandir a produção de carne de frango, suínos, peixes e leite. A avaliação é de Dilvo Grolli, diretor-presidente da Coopavel, em entrevista à Agrimídia durante a AveSui 2026, em Cascavel (PR).
“O Brasil é um grande produtor de proteína animal e tem uma grande competitividade em custo e logística. Temos que aproveitar esse momento em que o mundo está demandando mais proteína. Será uma grande oportunidade”, afirma.
Do grão à carne, valor multiplicado
Para mostrar o potencial de agregação de valor, Dilvo compara a receita das exportações. Segundo ele, uma tonelada de soja exportada gera cerca de US$ 450, e uma de milho, US$ 220. Quando o grão é transformado em carne, o valor salta: a tonelada de frango exportada rende cerca de US$ 2 mil, e a de carne suína, aproximadamente US$ 3.500.
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“Se temos uma boa matriz de produção de grãos, temos a facilidade de transformar esse grão em ração, aumentar a renda do produtor e abastecer os frigoríficos”, explica. Ele destaca que a indústria brasileira está adaptada às exigências do mercado internacional e que a conversão de grãos em proteína gera emprego, tributos e oportunidades. “O crescimento do Brasil está no agronegócio.”
Paraná: produção e preservação
O presidente da Coopavel cita o Paraná como exemplo de que é possível produzir e preservar. Segundo ele, somando a reserva legal obrigatória de 20% das propriedades às áreas de proteção de rios e lagos, cerca de 33% do território paranaense está protegido. Ainda assim, o estado é líder na produção de frango e vice-líder em suínos, leite, soja e milho.
“Os produtores rurais, as empresas de insumos, as cooperativas e todas as empresas do setor estão agregando valor e dando uma resposta muito grande para o crescimento do estado”, diz.
Espaço para crescer com sustentabilidade
Dilvo também rebate a imagem do Brasil como país que desmata. De acordo com os números que apresenta, o país preserva cerca de 60% de seu território, considerando a floresta amazônica, as áreas protegidas dentro das propriedades rurais e outras reservas. A agricultura ocupa de 10% a 11% do território e as pastagens, cerca de 20%.
“Utilizamos 30% do país. Então temos muito a crescer, cuidando da natureza e ajudando o mundo na oferta de alimentos com boa sanidade, garantia de qualidade e preço competitivo”, afirma.
Logística conforme a vocação de cada região
Em um país com mais de 5 mil quilômetros de norte a sul, cada região precisa estruturar sua logística de acordo com a própria vocação, defende Dilvo. Ele lembra que o Paraná não conta com rios aproveitáveis para o transporte de cargas, justamente o modal mais barato.
Segundo referências internacionais citadas por ele, transportar uma tonelada por mil quilômetros custa cerca de US$ 20 pela via fluvial, US$ 40 pela ferrovia e US$ 60 pela rodovia, o que mostra o peso da logística na competitividade da produção.
Da Redação.
























