Colheita de 40,6 milhões de toneladas faz da “safrinha” uma “safrona” capaz de elevar estoques a 16 milhões de toneladas, volume jamais atingido.
Colheita de inverno de milho bate recorde e desafia exportação

Os agricultores brasileiros apostaram alto e estão prestes a retirar do campo mais uma produção recorde de milho de inverno: 40,6 milhões de toneladas. A estimativa é da Expedição Milho Brasil, um projeto inédito idealizado pelo núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo, consultoria INTL FCStone e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) que percorreu os cinco principais estados produtores da segunda safra do cereal nas últimas semanas.
A colheita do grão, que deve começar no próximo mês, supera pelo segundo ano consecutivo o volume produzido no verão, deixando o termo “safrinha” no passado. No campo, a colheita de inverno ganhou um apelido mais condizente com a realidade – “safrona”.
Em Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo analistas, técnicos e jornalistas conferiram que as expectativas de produção são otimistas. E não por acaso. Com os ganhos do inverno passado, os agricultores colocaram em prática a receita de alta produtividade. Adubaram muito bem os solos e a maior parte usou sementes de ponta. E o clima tem colaborado. As regiões que precisam de chuva nesta semana ainda podem alcançar rendimentos iguais ou até superiores aos do ano passado.
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No Paraná, segundo maior produtor nacional da cultura, choveu no último final de semana em boa parte das áreas secas. “A chuva veio em boa hora. Agora, é esperar que os dias mais frios não nos prejudiquem”, diz o estudante de agronomia Pedro Versari, que trabalha com o pai David em uma propriedade com 600 hectares plantados com milho de inverno em Itambé (Centro-Oeste do estado). Eles esperam 82 sacas por hectare, mesma média de 2012.
Desafio – De outro ângulo, a projeção de safra acende o sinal de alerta para o Brasil, que tem o desafio de aumentar suas exportações num ano de consumo interno estável, recuperação dos maiores produtores e fornecedores globais – os Estados Unidos -, e de vendas antecipadas fracas. A comercialização do grão de inverno segue em ritmo 50% menor do que nesta época do ano passado, constatou a Expedição Milho.
Ao todo, o Brasil vai despejar 76,88 milhões de toneladas de milho no mercado, considerando as produções de verão e inverno. Com uma demanda doméstica de 52 milhões de toneladas, o ano deve terminar com mais de 16 milhões de toneladas em estoque, o maior da história. Como agravante, o atraso que vem ocorrendo nos embarques da soja desde o início do ano deve atingir também o mercado do cereal. “O milho só deve começar a ser escoado [para o exterior] a partir de agosto e setembro, o que preocupa muito, porque vai ser a mesma época em que os Estados Unidos começam a sua colheita”, destaca Otávio Celidônio, superintendente do Imea. De acordo com levantamento realizado pela consultoria FCStone, “de fevereiro a abril, as exportações da safra 2012/13 acumulam 4,5 milhões de toneladas, representando 30% dos 15 milhões previstos para todo o ciclo.”
Além da realização do Agronegócio Gazeta do Povo, FCStone e Imea, a Expedição Milho Brasil tem apoio do Sicredi, Montana e Perfipar. O projeto percorreu 7 mil quilômetros de estradas.
EUA entram em foco – Se no campo o clima é de euforia com os resultados do milho de inverno, no mercado o momento é de cautela. Com apenas uma pequena parcela da produção comercializada, os produtores aguardam uma definição sobre os rumos da próxima safra norte-americana. Uma ideia mais clara sobre como deve ser a próxima temporada nos Estados Unidos será divulgada nesta sexta-feira, quando o USDA, o departamento de Agricultura do país, publica seu primeiro relatório de oferta e demanda para o ciclo 2013/14.
As projeções iniciais do governo norte-americano mostram que o país pretende recuperar os prejuízos sofridos com a seca no ano passado semeando áreas recordes neste ano. Em março, o USDA estimou que o milho cobriria 31,2 milhões de hectares e que outros 39,4 milhões de hectares seriam destinados à soja. É a partir desses dados que o órgão calcula, agora em maio, o tamanho da safra de grãos do país. Considerando clima normal e produtividades na linha de tendência, o potencial seria para mais de 90 milhões de toneladas de soja e 370 milhões de toneladas de milho.
Com apenas 2 milhões de hectares (5%) plantados até agora, o mercado questiona se os produtores terão tempo de semear toda a área planejada para o cereal. E, mesmo que consigam, não se sabe até que ponto o plantio tardio irá comprometer o desempenho das lavouras. Plantadeiras gigantes de até 16 linhas permitem que, com tempo bom, o plantio avance cerca de 30 pontos por semana. Com chuvas em excesso, parte dos produtores cogita remanejar para a soja áreas inicialmente programadas para o milho.
Simulação feita pelo Agronegócio Gazeta do Povo mostra que, mesmo que o plantio do cereal recue 5% em relação ao projetado pelo USDA em março, e que a produtividade média das lavouras fique 7% abaixo da linha de tendência, os EUA encerrariam a temporada 2013/14 com estoques 40% maiores que os do ciclo anterior. Isso considerando demanda (consumo doméstico + exportações) 10% maior.
Geada precoce preocupa no PR – Depois que boa parte das regiões paranaenses que precisavam de umidade receberam chuvas no último final de semana, a preocupação se direcionou para a formação de geada. A previsão aponta para a ocorrência do fenômeno nesta semana nas áreas mais altas do Oeste do Paraná. O Noroeste e Norte não devem ter problemas, afirma o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Luiz Renato Lazinski. “As madrugadas mais frias devem ser de quarta e quinta-feira”, avisa. De acordo com o especialista, chuvas estão previstas para o estado a partir da próxima semana, quando também deve haver nova queda dos termômetros.
O risco de perdas de milho por frio excessivo está restrito ao Sul do país. Em Mato Grosso, é a seca que preocupa. Neste ano, porém, maior parte dos produtores conseguiu escapar da quebra. Ezequiel Lara, de Sorriso (Médio-Norte), que esperava mais duas chuvas para confirmar alta produtividade na temporada, viu o retorno da umidade um dia depois da equipe da Expedição visitar sua lavoura. Ele acredita que pode superar o índice do ano passado (113 sc/ha).





















