Novo paradigma da agricultura nacional vai ser a aposta em investimentos dentro da porteira, dizem especialistas.
Produtor rural terá que investir em armazéns para sobreviver

Principal gargalo do agronegócio, a falta de investimentos em infraestrutura logística – tema do 12º Congresso Brasileiro da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag) – fará com que o produtor rural brasileiro mude seu modo de enxergar a cadeia produtiva. A tendência é que cada vez mais aumentem os investimentos em sistemas de armazenagem dentro da fazenda, como já fazem os agricultores norte-americanos e canadenses. “O que o governo não faz, o produtor rural faz. Isso soa estranho agora, mas com o tempo, esses investimentos serão bons para o produtor, que terá mais condições de negociar muito bem a sua safra”, defende o economista agrícola Alexandre Mendonça de Barros.
De acordo com Barros, com o aumento do estoque dentro da fazenda, o agricultor tem mais poder de negociação. “Com o controle do estoque, é possível negociar. Ninguém fica refém dos compradores. Isso já é comum nos Estados Unidos, onde os produtores controlam 60% da sua produção, e no Canadá, onde eles têm 80% do controle. Aqui no Brasil, isso gira em torno de 15%”, diz ele.
Para exemplificar a situação, ele cita a atual safra de inverno (safrinha), que beira as 82 milhões de toneladas e não tem como ser estocada por falta de armazéns. “Não temos nem como negociar. Ainda temos soja que está nos armazéns para vender. Todo esse milho vai ser entregue, o produtor não tem opção. Consequentemente, não tem preço”.
Leia também no Agrimídia:
- •Produtividade sustentou o agro por 25 anos, mas crédito caro deixou o setor exposto após a pandemia, aponta Cepea
- •ABCS e ABEGS apresentam pautas sanitárias da suinocultura ao novo diretor do departamento de Saúde Animal
- •Paraná deve colher 22,75 milhões de toneladas de soja em 2026/27, estima Deral
- •Mercado de frango segue sem impacto dos novos focos de Newcastle em SC
Luiz Lourenço, presidente da Cocamar, cooperativa agrícola de Maringá (PR), diz que não enxerga outra solução senão investir em sistemas de armazenagem, o que inclui o silo, moega, sistemas de secagem, entre outros. “É o que estamos tentando fazer há algum tempo, mas infelizmente ainda esbarramos no alto custo para isso. Agora, com essa nova realidade, os bancos também já acordaram”, conta.
Segundo o dirigente, foi lançada em junho deste ano uma linha de crédito exclusiva para este fim. “Ainda é uma novidade, mas a tendência é que estes investimentos sejam impulsionados nos próximos anos, já que só para elaborar o projeto e implantar o sistema todo leva-se, em média, um ano”.
Com isso, surge uma outra dúvida: a indústria vai conseguir atender a demanda de tantos armazéns? “Certamente que essa indústria já reservou boa parte de sua produção para atender esta parcela do agronegócio, mas vamos esbarrar em um outro gargalo, o alto custo das matérias primas”, alerta César Borges de Souza, diretor da Abag. “Vai ser outro desafio”.
























