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Economia

Empresas preveem 2015 ruim mesmo com outro governo

Para 51,4% dos pequenos e médios empresários, Dilma ou a oposição não conseguirão melhorar a economia.

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Empresas preveem 2015 ruim mesmo com outro governo

Mais da metade dos pequenos e médios empresários brasileiros diz acreditar que a situação econômica permanecerá ruim em 2015 independentemente de quem ganhe a eleição presidencial.

É o que mostra uma pesquisa feita pelo Insper com 1.326 entrevistados em todo o país, que incluiu uma pergunta da Folha sobre expectativas para o próximo ano.

Para 51,4% dos empresários ouvidos, nem a presidente Dilma Rousseff nem a oposição seriam capazes de reverter o quadro de atividade fraca em 2015.

Outros 32,9% dos entrevistados dizem acreditar que um governo de oposição seria capaz de melhorar a situação econômica. Só 10,3% acham que Dilma tem maiores chances de conseguir isso.

Para especialistas, as respostas indicam grande insatisfação com as políticas adotadas pelo atual governo.

“Mais de 80% dos entrevistados não veem chance de melhora da economia em 2015 com o mesmo governo”, afirma José Luiz Rossi Junior, pesquisador do Insper.

Para Rafael Cortez, analista político da consultoria Tendências, os resultados da pesquisa refletem uma percepção de que será difícil reverter o processo de deterioração da economia.

“Acho que existe uma percepção entre os empresários de que a nova matriz econômica deixa uma herança maldita”, afirma Cortez.

O termo nova matriz econômica foi usado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) para se referir à flexibilização do tripé da política econômica que inclui regime de metas de inflação, câmbio flutuante e controle de gastos.

O governo atual afrouxou a política fiscal e aceitou uma taxa de inflação perto do teto da meta do Banco Central.

Essas políticas têm sido criticadas por empresários e investidores que atribuem a isso o resultado fraco da economia. As pesquisas de confiança dos setores industrial e de serviços e de consumidores feitas pela FGV (Fundação Getulio Vargas) indicam desalento crescente em relação ao futuro.

“Até o início do ano, havia um movimento de declínio suave das expectativas. Em abril e maio, essa tendência se aprofundou e se tornou mais difusa”, diz o economista Silvio Sales, da FGV.

O levantamento do Insper, realizado trimestralmente com apoio do Santander, aponta deterioração das expectativas em relação à economia. Entre abril e junho, o Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN) em relação ao trimestre seguinte recuou pela quinta vez seguida, atingindo 63,3 pontos.

Para Sales, o fato de mais da metade dos empresários estar pessimista em relação às chances de retomada em 2015 se deve à percepção de que o próximo governo terá de fazer ajustes que, em um primeiro momento, tendem a levar a uma desaceleração.

Ele diz acreditar que a trajetória de declínio da confiança pode ser atenuada se a Copa transcorrer bem e o humor de empresários e consumidores melhorar. Mas a chance de aumento é pequena.

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