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Deficiência na logística de transportes entrava exportações

Para o economista Fayet, se não houver uma adequação no setor de transportes, o interior do Brasil entrará em colapso.

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Da Redação 05/12/2003 – 05h40 – O Brasil será o maior país agrícola do mundo dentro dos próximos doze anos, prevê a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O governo brasileiro – sem modéstia –  reduz em mais dois anos essa meta.
 
Para o economista e consultor de entidades de classe ligadas ao agronegócio, Luiz Antonio Fayet, os maiores entraves para as exportações nos últimos 10 anos têm sido a política cambial, a tributação e a deficiência na logística de transportes.

A manipulação artificial do dólar, muito baixo, “funciona como um desacelerador do movimento de exportação e como um subsídio à importação”, diz o economista. Outro problema, segundo Fayet, é o “violento crescimento da tributação, que passou de 23% do PIB em 1994 para mais de 35% em 2002”.

Logística 

O especialista também reputa a fragilidade da logística de transportes como responsável pelas incertezas no comércio exterior do País. O principal gargalo, segundo ele, que “conspira contra nossa competitividade”, é o segmento ferroviário.

Os custos financeiros das planilhas de custos dos produtos e a concorrência desleal da concorrência internacional (quotas, subsídios, barreiras sanitárias) são outros fatores citados pelo economista. 

Em 1999, afirma ele,  a soma dos subsídios concedidos pelos países ricos à agricultura foi de US$ 370 bilhões, aproximadamente 75% do PIB brasileiro. “É sufocante, mas mesmo assim crescemos e vamos crescer mais”, diz otimista. Fayet também acredita que “se não nos atrapalharem muito, especialmente com as políticas internas inadequadas e inconsistentes, poderemos chegar a ampliar a oferta de produtos de exportação na ordem de 50 milhões de toneladas até 2010”.

Paraná 

Transitaram pelo sistema portuário paranaense cerca de 28 milhões de toneladas em 2002 (exportação e importação), carga equivalente à capacidade de transporte de um milhão de carretas, que enfileiradas cobririam uma distância estimada do contorno do território brasileiro e mais um quarto dessa distância. 

Para Fayet, se os governos falharem na tarefa de reformular a política econômica, adequando o setor de transportes, “o interior do Brasil entrará em colapso”. 

De acordo com a Câmara Paranaense de Logística (Paranalog), o Paraná era responsável em 1999 por 11,55% da balança comercial brasileira. Em 2003 já alcançou a margem de 17,06% (R$ 1,77 bilhão). A entidade acredita que esses números, relativos a junho, vão aumentar até o final do ano.

O Estado precisa de investimentos que acompanhem a evolução da agroindústria, segundo a Paranalog, que sugere investimentos para a recuperação de rodovias e ferrorias, além de melhorias na estrutura portuária e a construção de uma terceira pista no Aeroporto Afonso Pena. Tudo isso exigiria aporte de aproximadamente R$ 4,3 bilhões.

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