Uma das alternativas para os produtores rurais enfrentarem a alta dos preços dos fertilizantes é mais simples do que se imagina.
Associar para reduzir custos de produção
Redação (29/09/2008) – A formação de consórcios entre produtores rurais dá mais poder de negociação na hora da compra. Além disso, a união de agricultores em consórcios viabiliza o pleito, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para obtenção do registro de importação e fabricação de fertilizantes e, com isso, reduzir os custos da produção.
Um exemplo bem sucedido é o do Consórcio Cooperativo Agropecuário Brasileiro (CCAB). Em 2006, o surto da ferrugem da soja no País explodiu o consumo de agrotóxicos para combater a praga. Os preços dos produtos dispararam e os agricultores, isolados, se viram nas mãos das indústrias fornecedoras.
Decidiram, então, se unir para enfrentar a situação. Formalizaram e investiram recursos no consórcio. Criaram empresas geridas por profissionais altamente qualificados para administrar os interesses dos agricultores. Logo de início, o CCAB conquistou força para negociar em condições de igualdade com as indústrias de agrotóxicos e, com maior poder de barganha, reduzindo os custos na compra de defensivos agrícolas.
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Atualmente, o CCAB possui registro no Mapa para importar, formular e comercializar o glifosato, uma das principais matérias-primas dos agroquímicos. Estima-se que, com isso, os agricultores do CCAB reduzam os custos com insumos em 20% a 30%. “Associar é importante porque permite ganho de escala e proporciona segurança jurídica entre as partes, além da possibilidade de investimento de capital”, explica o coordenador do Núcleo de Integração para Exportação do Mapa, Daniel Amin.
Com o mesmo objetivo de tentar reduzir custos, 21 cooperativas do Paraná se uniram para formar o Consórcio Nacional Cooperativo Agropecuário (Coonagro). Na semana passada, a solenidade de assinatura do contrato de criação do consórcio contou com a presença do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.
O Coonagro importará diretamente fertilizantes, defensivos agrícolas e outros insumos, ao mesmo tempo em que exportará a produção das cooperativas. Além de proporcionar a redução dos custos, os consórcios permitem ganho de escala da produção, o que facilita o escoamento para o mercado internacional.
As 21 cooperativas que compõem o Coonagro faturam R$ 10 bilhões por ano e empregam cerca de 250 mil pessoas. O consumo de fertilizantes é estimado em um milhão de toneladas por ano.
Fomento ao associativismo – O Núcleo de Integração para Exportação da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa (Niex/SRI/Mapa) desenvolve um trabalho, há dois anos, para estimular a união, não só de agricultores, mas dos elos da cadeia produtiva (produtores, agroindústrias e empresas de distribuição).
As atividades de fomento ao associativismo desenvolvidas pelo Niex consistem na realização de seminários (AgroEx e AgroInt) para orientar produtores a se unirem, principalmente, para exportar. Este ano, foram realizados seminários nas cidades de Contagem/MG, Goiânia/GO, Bento Gonçalves/RS, São Paulo/SP, Chapecó/SC e Natal/RN. Estão previstos, ainda, seminários em Porto Velho/RO, Cuiabá/MT e São Luís/MA.
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