Falta de uma política agrícola alerta a sociedade para o risco de uma estagnação da agricultura nos próximos anos.
Protestos e os números da safra em MT
Redação (01/12/2008)- Produtores rurais de todo o Estado participaram na sexta-feira passada de um ato público em frente à sede da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) para protestar contra a falta de uma política agrícola e alertar à sociedade para o risco de uma estagnação da agricultura nos próximos anos. Eles exibiram máquinas financiadas por bancos como a DLL e New Holland que estão na carteira de cobrança das montadoras e estavam na lista de apreensão/arrestos. A queda na safra agrícola também foi mostrada pelos produtores, que apontam perdas de 10% na produção de soja, 30% na de algodão e de 50% com o milho.
"A situação é dramática. Os produtores precisam basicamente da prorrogação das dívidas vencidas em 2008, política agrícola que faça a readequação dos débitos e crie mecanismos de recuperação da renda do produtor, infra-estrutura (logística de transporte e armazenamento), taxas de juros compatíveis, seguro rural e linhas de crédito", aponta o presidente da Famato, Rui Ottoni Prado. Segundo ele, 2008 "foi muito confuso", com problemas "no câmbio, dificuldades de crédito, altos preços dos insumos e, por último, queda dos preços das commodities agrícolas".
Por conta destes transtornos, ele diz que os produtores vão fechar o ano no vermelho. "A safra está tensa e muitos produtores ainda não fizeram o plantio".
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A maior preocupação, segundo o diretor da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Carlos Augustin, é com o plantio de algodão que começa em dezembro. "Estamos entrando no plantio e os recursos não chegaram. O plantio vai começar lento e com muita cautela por parte dos produtores".
Ele informou que 70% dos produtores de soja e algodão não efetuaram o pagamento da parcela vencida no dia 15 de outubro. "Nós alertamos o governo federal que os produtores não teriam como pagar. Ou pagavam as parcelas do financiamento ou plantavam. Nós optamos por plantar e deixar a dívida apostando em uma nova prorrogação".
Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira, mesmo não pagando as parcelas do endividamento, o produtor ainda terá prejuízos devido aos altos preços dos insumos (fertilizantes). "A nossa conta é de que o produtor está perdendo US$ 200 por hectare só nesta safra e ainda vinha tendo suas máquinas apreendidas pelos bancos das montadoras".
Ele disse que cerca de 70 máquinas – tratores e colheitadeiras, em maioria – foram apreendidas nos últimos dias pelos bancos. Na quinta-feira, o juiz de Direito da Vara Especializada de Ação Pública e Ação Popular do Fórum Cível de Cuiabá, José Zuquim Nogueira, concedeu liminar suspendendo as apreensões em Mato Grosso e exigindo a exclusão dos nomes dos produtores dos serviços de proteção ao crédito como a Serasa (bancos). Proibiu ainda a inclusão de novos nomes de produtores inadimplentes nestes serviços. A medida tem efeito até o próximo dia 30 de junho, época prevista para o término da colheita da safra de soja e milho. Na avaliação do segmento, a exclusão dos nomes dos produtores rurais dos órgãos de defesa ao crédito vai possibilitar a renegociação e oportunizar o acesso a novos créditos, como o previsto pela Resolução 3637, do Conselho Monetário Nacional (CMN).
SITUAÇÃO – No manifesto de ontem, os produtores mostraram máquinas financiadas e a situação dos seus contratos. O produtor que comprou em 2004 uma colheitadeira no valor de R$ 530 mil, com entrada de R$ 53 mil e financiamento de R$ 477 mil, tem atualmente saldo devedor de R$ 774,67 mil, enquanto o valor atual da mesma máquina é de R$ 291,50 mil. "Por isso as contas nunca fecham e a cada ano o produtor está mais atolado nas dívidas", critica o presidente da Famato, Rui Prado.





















