Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↓ R$ 65,59 / kg
Soja - Indicador PR ↓ R$ 147,98 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↓ R$ 154,15 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 9,99 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,63 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,95 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,89 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,82 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,75 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 141,38 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↓ R$ 143,61 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 152,24 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 159,48 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 132,32 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↓ R$ 145,00 / cx
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,39 / kg
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,41 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↓ R$ 1.561,58 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↑ R$ 1.472,69 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 157,24 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 136,70 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↓ R$ 144,93 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 154,91 / cx
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2009: Será que o agronegócio resiste?

Leia artigo de Rui Carlos Ottoni Prado, Médico veterinário, produtor rural em Mato Grosso e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso.

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Redação (05/03/2009) – Após o anúncio do governo federal a respeito de uma completa reestruturação na política agrícola nacional, é preciso fazer algumas considerações sobre o que necessariamente precisa ser feito. Primeiro, é absolutamente premente a necessidade de aporte de recursos para custeio e investimento.

Essa reivindicação parece óbvia, talvez até simplória, mas quando analisamos os números da safra passada, quanto aos recursos liberados para a agricultura empresarial (R$ 65 bilhões), testemunhamos a saída frenética das tradings do setor de risco e acompanhamos a escalada nos custos de produção, essa simplória questão torna-se, indubitavelmente, a mais importante.

A conta é simples: se de um total de R$ 13,2 bilhões que a agropecuária mato-grossense vai precisar neste ano, o crédito oficial participa com 9 %, de onde sairão os outros R$ 12 bilhões? Das tradings e do capital de giro do produtor é que não. Enquanto a crise econômica perdurar, as tradings, nossas “parceiras”, estarão emprestando dinheiro em outras clientelas. O capital de giro do produtor desapareceu ou foi transferido para os cofres das indústrias de fertilizantes. A questão é que não existe esse dinheiro que participava com cerca de 30% do volume de recursos anuais.

Outra questão que não quer calar é: como o produtor, que renegociou dívidas e rolou compromissos junto aos bancos vai custear suas lavouras ou sua produção de carne, leite, fibras etc.? Podemos dizer que, sem a desoneração dos novos créditos das dívidas renegociadas, a produção agropecuária nacional pode sofrer um revés digno de entrar para a história.

Parece exagero? Então analisemos alguns números: se mais da metade dos produtores rurais do estado possuem dívidas renegociadas, como estes produtores buscarão novos créditos que não fiquem condicionados aos limites estabelecidos para cada mutuário? Como renovar o parque de máquinas e implementos agrícolas se mais da metade dos produtores rurais estão impedidos de tomar novos investimentos por conta da Lei 11.775? Sem dúvida nenhuma, o desafio é grande, não só para nós do setor produtivo mas também para quem está legislando sobre este conjunto de fatores.

Alguém pode perguntar: e os juros? Desmistifiquemos uma questão, os juros agrícolas não são 6,75 ou 8,75% ao ano. Se fizermos a conta de que essa taxa de juros incide somente sobre 9% dos recursos, enquanto os outros 91% o produtor busca a taxas de 20 ou 30% (quem pegou dólar emprestado no final de setembro a R$ 1,70 ou trocou soja por uma tonelada de adubo a R$ 1.200 a tonelada já fez essa conta). E ainda, se a TJLP e a taxa Selic estão em patamares muito abaixo dos níveis de cinco anos atrás, por que o juro agrícola permanece na casa de 6,75%?

Outro ponto que devemos destacar é a ação cível pública da Famato que originou a liminar que obriga os bancos procederem a renegociações das dívidas rurais. Ora, se alguns bancos estão causando dificuldades para, em cumprimento à Lei 11.775 e resoluções do Conselho Monetário Nacional, renegociar as dívidas rurais, o que devemos esperar dos mesmos quando o produtor for à busca de novos créditos para financiar sua produção? Talvez o setor rural não seja, neste momento, o público preferido dos bancos, que começam a publicar seus polpudos balanços. Aliás, eis um paradigma: investidores, clientes, aposentados e pensionistas quebrados e bancos vigorosos e sadios. Tem algo errado nesta equação.

Neste momento todo o setor do agronegócio está mobilizado ajudando o governo a reestruturar a política agrícola nacional, ideias e proposições não faltam. Vamos ver se o país campeão mundial em impostos e tributação consegue ser tão eficiente quando precisa viabilizar a produção nacional de um setor que insiste (por teimosia) em gerar saldo positivo na balança comercial.

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