Negociação para retomada da Rodada Doha provoca tensão entre emergentes. Brasil quer acordo em 2009.
Racha de países
Os países em desenvolvimento mostraram ontem um claro racha sobre as condições para retomar a Rodada Doha e concluir rapidamente o acordo global de liberalização agrícola, industrial e de serviços, numa série de articulações em Paris. Brasil, Índia e África do Sul, com influência decisiva na negociação, divulgaram comunicado advertindo os EUA de que no meio do pior ambiente econômico desde a depressão dos anos 30, seria “pouco razoável e irrealístico” esperar mais “concessões unilaterais” dos países em desenvolvimento.
Já um grupo de 11 países, que inclui México, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai e Costa Rica, propôs um acordo rapidamente em Doha sem as mesmas precauções. O grupo, que já tem tarifas bastante baixas, pede para os parceiros mostrarem “vontade política”, argumentando que a conclusão da rodada ajudaria a retomada econômica.
Ron Kirk, o novo negociador comercial chefe dos Estados Unidos, só conseguiu mesmo uma promessa de que os países podem aceitar negociações bilaterais diretas também, para discutir barganhas, mas na prática é o que já vinha ocorrendo. Kirk queria partir com um claro compromisso de que a abordagem da negociação mudou. Para o Brasil isso significaria reconhecer que há insuficiências nas concessões dadas aos EUA. E a resposta foi um claro “não”.
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Um grupo de 12 ministros se reuniu na embaixada da Austrália com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, mas não houve avanço. Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o fato positivo foi que EUA e Índia demonstraram disposição de conversar.
Como retomar a negociação, porém, é outra questão em aberto. Surgiram propostas de se tentar concluir a negociação global até meados do ano que vem, o que não agradou ao Brasil. “Isso me deu arrepios, porque estaremos em plena campanha eleitoral”, reagiu Amorim. Para o Brasil, a negociação teria de avançar este ano, porque no meio de período eleitoral fica difícil usar mesmo a pequena flexibilidade que ainda dispõe o país para negociar corte tarifário.
Lamy, por sua vez, jogou na mesa as cifras de queda livre do comércio mundial: contração de 14% no comércio dos países desenvolvidos e 7% nos países em desenvolvimento. Só que estes dependem mais do comércio e sofrem mais as consequências da crise global.
Na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), também houve uma enxurrada de discursos, com vários ministros alertando sobre os perigos do protecionismo.





















