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Carne bovina na Argentina

No ano passado, produção, consumo e exportação do país recuaram. Bovino perde espaço para carnes suína e de frango.

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Carne bovina na Argentina

As disputas entre o governo da presidente Cristina Kirchner e de seu antecessor Nestor Kirchner, morto em outubro passado, com o setor agropecuário afetaram a produção, o consumo e a exportação de carne bovina da Argentina.

Dados da Câmara da Indústria da Carne da Republica Argentina (CICCRA), baseados em números oficiais, mostraram que as exportações argentinas caíram 52,7% em 2010 sobre 2009, somando 302.034 toneladas. A produção caiu 20,7% na mesma comparação, para 2,68 milhões de toneladas. O consumo interno de carne bovina caiu 13,2%, ficando em 2,38 milhões de toneladas. Foi a maior baixa dos últimos oito anos.

Assessores do Escritório Nacional de Controle Comercial Agropecuário (ONCCA, na sigla em espanhol) confirmaram os números que mostram que o produto símbolo do cardápio dos argentinos perde espaço para outras carnes. Em 2010, o consumo per capita na Argentina foi de 55 quilos de carne bovina. No ano anterior, havia sido de 72 quilos por habitante.

Para assessores do governo, os argentinos estão aprendendo a “diversificar” o cardápio. De acordo com o ONCCA, o consumo de suínos e de aves subiu em substituição à carne bovina. No caso da carne suína, por exemplo, o consumo per capita saiu de 8,5 quilos em 2009 para 9,2 quilos ano passado.

Em diversas ocasiões, Cristina Kirchner já defendeu o consumo de frango, peixe e de suíno. Num comício, no ano passado, ela causou polêmica ao afirmar que a carne de porco “melhora a atividade sexual”.

Para o presidente da CICCRA, Miguel Schiaritti, a “responsabilidade” pelo novo quadro de consumo e da queda das exportações é do governo. “Estamos enfrentando pelo menos quatro anos de políticas contrárias ao setor pecuário”, disse. “Durante mais de quarenta meses, as vacas, que são a matriz dessa produção, foram usadas para o consumo porque muitos deixaram o setor. Perdemos 10 milhões de cabeças de gado, nos últimos anos, e essa produção não foi renovada”, afirmou.

Segundo Schiaritti, esta é “a pior crise” do setor pecuário “dos últimos cinquenta anos”. O dirigente afirma que 25 frigoríficos fecharam nesse período.

A redução no consumo, reconheceu, deve-se também à disparada no preço da carne bovina, o que ele atribuiu à queda no estoque nacional do produto. “Nos últimos quinze meses, o consumidor passou a pagar preço 110% mais alto para a carne nos supermercados”, disse.

A Argentina trava uma batalha interna para saber qual é a sua real inflação dos últimos tempos. O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC, equivalente ao IBGE) afirma que a alta de preços foi de cerca de 10% no ano passado. Mas consultorias privadas apontam “maquiagem” nos dados e indicam que a inflação teria sido entre 20% e 26%. Na prática, a Argentina, que no século passado, foi líder mundial de produção e exportação de carne bovina, já foi superada pelo Uruguai no ranking do setor. Também já começa a enfrentar a concorrência mais forte do Paraguai, que tem ampliado sua atuação em carne bovina.

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