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‘Atropelo’ russo

Ministro da Agricultura, Wagner Rossi, eleva tom de reclamação contra Moscou ao classificar medida sanitária como “atropelo” nas negociações bilaterais.

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‘Atropelo’ russo

Em meio à crise gerada pelo anunciado embargo russo às carnes brasileiras a partir de 16 de junho, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, elevou ontem o tom da reclamação contra Moscou ao classificar a medida sanitária como “atropelo” nas negociações bilaterais e fruto de “descompasso” na burocracia das instituições do parceiro comercial.

Ao confirmar o envio de uma carta do vice-presidente Michel Temer ao primeiro-ministro russo Vladimir Putin cobrando o cumprimento de um acordo firmado em meados de maio, Rossi deixou de lado o tom diplomático usado após reunião, na segunda-feira, com industriais exportadores de carne. “O relatório atropelou o processo. Há um descompasso entre os órgãos lá [Rússia] e eles, como não estão na OMC, têm regras muito próprias, algumas inaplicáveis. Não há necessidade de fazer alguns exames [laboratoriais]”, afirmou.

Em várias reuniões com Temer, os russos deixaram claro que esperavam uma posição mais proativa do Brasil nas negociações para acesso da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC). E condicionaram a alteração no sistema de cotas para as carnes ao auxílio brasileiro nas tratativas sobre a OMC.

Em seu desabafo em relação à conduta dos russos, que combinaram procedimentos com Michel Temer em Moscou, mas resolveram aplicar sanções prévias contra o Brasil, o ministro insinuou que o relatório da missão veterinária russa já tinha sido decidido antes mesmo da chegada dos especialistas ao país.

“Houve uma circunstância peculiar. Alguns técnicos nossos informaram que o relatório tinha um caráter pré-determinado”, disse ele, ao lembrar que as carnes significam 18% das vendas externas do agronegócio. “Agora, pedimos um ‘waiver’ [prazo] e espero que os russos aceitem porque vamos fazer uma explicação detalhada lá”.

O ministro Wagner Rossi anunciou o início de auditorias do Ministério da Agricultura em todas as unidades exportadoras de carne e afirmou que tentará, durante audiência com a presidente Dilma Rousseff, recursos adicionais para elevar o orçamento “pequeníssimo” de atualização da rede de laboratórios agropecuários.

Mesmo em tom mais duro com os russos, o ministro Rossi voltou a cobrar mais ação interna no governo brasileiro e uma postura mais proativa dos exportadores. “Nossa reunião não foi de flores, foi de trabalho. Não adianta brigar, temos que fazer uma autocrítica. Cada um assumiu sua responsabilidade e vamos retomar essas vendas”, disse.

O ministro afirmou que o governo “não dotou os laboratórios” para atender às exigências russas. “Mesmo que sejam absurdas”, disse ele. Os russos chegaram a apontar, em relatório, a ausência de testes para materiais radioativos nas carnes brasileiras. Rossi disse que é “desagradável, não razoável” uma missão estrangeira apontar “desconformidades” nos frigoríficos brasileiros. “Temos que fazer a lição de casa e o setor produtivo, um pente fino nas instalações”, afirmou. “Não podemos usar como desculpa. Isso não nos isenta de cumprir todas as exigências. E não adianta jogar a culpa nos outros”, concluiu.

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