Empresas da Índia querem investir US$ 2,5 bilhões em terras na África para cultivas alimentos. O cultivo de palma na Etiópia é um dos alvos.
Alimentos na África

Companhias de agronegócio da Índia têm planos de investir US$ 2,5 bilhões na aquisição ou aluguel de milhões de hectares de terras baratas na Etiópia, Tanzânia e Uganda, entrando na briga com chineses e outros governos para produção agrícola no exterior.
Uma delegação de 35 investidores indianos, incluindo Karuturi Global e Kaveri Seeds, esteve semana passada na África para discutir o plano para ter acesso a terras entre as mais baratas do mundo, com preço de até US$ 1,50 por hectare por ano em contratos por décadas.
Os indianos pretendem produzir principalmente óleo de palma, arroz, milho, cana-de-açúcar e algodão, com o objetivo de exportar para seu próprio mercado em plena expansão
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A ação indiana voltou a atrair a atenção para o fenômeno de “land grab”, a aquisição de terras por governos ou empresas estatais em outros países. Novo relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que estrangeiros já compraram entre 50 milhões e 80 milhões de hectares principalmente na África, mas crescentemente também na América Latina.
Governos e várias companhias da China, dos países do Golfo, Líbia, Coreia do Sul começaram a adquirir terras no exterior, parcialmente em resposta à crise dos preços altos das commodities em 2007-2008. A Coreia do Sul comprou 700 mil hectares no Sudão, a Arábia Saudita outros 500 mil na Tanzânia.
A Índia tenta recuperar o tempo perdido, depois de ver a ação dos chineses e de outros países. Na Índia, a agricultura é dominada por pequenos produtores. Companhias do agronegócio indiano acham que podem ser mais eficientes e ter operações agrícolas mais amplas no exterior. Óleo para cozinhar e milho estão entre os produtos quase com escassez no país.
Para a FAO, um problema com “land grab” é que 70% dos acordos anunciados até agora não tiveram os investimentos concretizados para produção agrícola. Atribui parte das compras a movimentos especulativos. Seu relatório vê evidência na recente escalada de acordos internacionais de compras de terras, de prejuízos para comunidades locais, em termos de sobrevivência, emprego, meio-ambiente.
No entanto, as reações começam a se tornar fortes e a companhia do Texas (EUA), a Nile Trading and Development, viu bloqueado seu projeto de alugar 600 mil hectares de terras na Guiné Equatorial por apenas US$ 25 mil por ano. A companhia dirigida por um ex-embaixador americano podia explorar todos os recursos naturais, incluindo petróleo.
Em entrevista ao Valor logo que foi eleito para a direção da FAO, que assumirá em janeiro, o brasileiro José Graziano da Silva foi firme. “Em termos quantitativos, é mínimo. “Mas a serpente nasce pequena”, disse. “O tema tem importância porque implica mudança drástica no uso da terra, de comunidades, terras indígenas na América Latina”.
A FAO estudou 17 países da América Latina e constatou em dois – Brasil e Argentina – que há estrangeiros em busca de terras. Para Graziano, o Brasil ao estabelecer regulamentação sobre compra de terras por estrangeiros está apenas adotando recomendação da própria FAO. “Tem que ter regulação”, disse.





















