Os reflexos das turbulências em países desenvolvidos deverão resultar em crescimento modesto da receita agrícola das principais lavouras brasileiras.
Receita agrícola menor em 2012

As turbulências financeiras concentradas na Europa, a difícil recuperação da economia americana e os reflexos dessa combinação sobre o crescimento de países emergentes e sobre os preços das commodities deverão resultar em um crescimento modesto da receita agrícola (“da porteira para dentro”) das principais lavouras brasileiras em 2012, conforme projeções divulgadas na sexta-feira pela RC Consultores.
Segundo o economista Fabio Silveira, da RC, os grãos (soja, milho, trigo, algodão, arroz e feijão, entre outros), deverão render receita conjunta de R$ 107,3 bilhões em 2012, 1,4% mais que em 2011 – quando o valor deve crescer quase 30% em relação a 2009 e alcançar sua máxima histórica, como apontam todos os levantamentos do gênero. Somadas as lavouras perenes, como cana, café, laranja e fumo, a receita das lavouras tende a subir para R$ 228,1 bilhões em 2012, 3% acima do ano passado.
Segundo a RC, a receita total continuará a ser puxada pela soja, seguida por café, cana e milho. Para todos esses “líderes” – açúcar e etanol, no caso da cana -, a previsão de Silveira é de preços internacionais médios menores em 2012 do que neste ano, mas graças a volumes maiores de produção e vendas antecipadas em algumas cadeias, as receitas poderão subir. Trata-se, porém, de um cenário bem menos otimista que exigirá cautela por parte dos produtores brasileiros, especialmente os que foram impulsionados nos últimos anos pela alta das exportações.
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Esse mesmo cenário está no radar do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Na semana passada, a entidade enviou às principais autoridades agrícolas da região um diagnóstico indicando que, ainda que os países da América Latina e do Caribe estejam todos vulneráveis à crise nos países desenvolvidos, seus reflexos negativos tendem a ser mais sentidos por países exportadores de alimentos no curto prazo, por causa da queda de preços no mercado internacional, e pelos importadores no médio e longo prazos, em virtude da provável redução da produção derivada de preços menos estimulantes.
“A região não é uniforme em termos de sua capacidade de resposta ante uma crise, dado que alguns países são mais vulneráveis que outros por suia condição de alta dependência da importação de alimentos e de energia, baixas reservas monetárias e elevados níveis de endividamento e déficit fiscal”, afirma documento assinado por Víctor M. Villalobos, diretor-geral do IICA. Conforme Villalobos, nos últimos dois anos os países da América Latina e do Caribe registraram em geral forte recuperação após as rachaduras globais provocadas pela quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, graças ao fluxo de capital para a região, preços recordes das exportações de produtos básicos e expansão do crédito interno, mas uma freada é quase inevitável.
Em 2010, lembra o IICA, a região cresceu, em média, 6%. Para 2011, projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) já reduz a taxa para 4,5%, e o instituto acredita possível que em 2012 a expansão regional fique abaixo de 4%.





















