Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↑ R$ 67,24 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 147,67 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↓ R$ 153,90 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 9,25 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,31 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,46 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,66 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,58 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,62 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 141,07 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 143,86 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 150,64 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 162,44 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 131,98 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 145,79 / cx
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,38 / kg
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,40 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↑ R$ 1.538,46 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↓ R$ 1.454,59 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 154,26 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 135,63 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↑ R$ 145,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 158,66 / cx
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Crise de confiança – por Coriolano Xavier

Um incidente local virou assunto mundial em poucos dias e colocou em cheque, para muitos consumidores, a credibilidade da moderna indústria de alimentação.

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Crise de confiança – por Coriolano Xavier

Um incidente local virou assunto mundial em poucos dias e colocou em cheque, para muitos consumidores, a credibilidade da moderna indústria de alimentação. Não foi aqui no Brasil, foi na Inglaterra, mas mostra o poder incendiário da combinação de mídia e segurança alimentar. 

Foi um desastre de imagem, construído em cinco atos…

·         Um supermercado de subúrbio, em Londres, desperta suspeita sobre hambúrgueres  que estava vendendo.

·         Testes com o produto revelam traços de DNA de cavalo.

·         O episódio vai, então, parar nas manchetes e circuitos da internet pelo mundo, ganhando conotações de “escândalo” alimentar.

·         Na onda do “escândalo”, novas avaliações foram feitas com outros alimentos e até lasanha com carne de cavalo foi encontrada.

·         No rastreamento da lasanha, descobriu-se que entre a compra feita por mercados londrinos e a chegada da mercadoria houve uma operação que envolveu sete empresas em seis países, em um bem acabado exemplo de globalização e segmentação das cadeias produtivas.

Este último aspecto, aliás, pode ter deixado a autoridade sanitária europeia em alerta, pois embora a marca produtora tenha admitido que a lasanha era de cavalo, ficou claro que, em cadeias produtivas fragmentadas, é muito mais complexo mapear irregularidades e responsabilidades.

Pouco depois o caso cedeu lugar a outras manchetes, como é natural em nossa era de mídia.  Mas um residual do episódio pode ter permanecido no inconsciente das pessoas, moldando suas percepções e crenças, no futuro.

Um fato como esse, aliás, encontra hoje um ambiente sociocultural extremamente favorável à sua dramatização e difusão, pois as pessoas estão cada vez mais propensas a pressionar a indústria sobre a origem e segurança dos alimentos.

É o que os norte-americanos chamam de “food movement” e tem a ver com novas tecnologias e sensores para análise dos produtos, redes sociais, aumento da informação e educação das pessoas.  Não é à toa que um gigante como o McDonalds coloca no ar uma campanha de TV convidando o consumidor a entrar no site da empresa e conhecer de onde vem a batata, a alface e a carne que utilizam.

Na aldeia global, as pessoas não mais escolhem alimentos só por sabor, qualidade aparente e preço. Hoje as escolhas também são feitas por valores atrelados à ecologia, origem, sanidade, perfil nutricional e ética das marcas.

Na sociedade de consumo atual, o agronegócio tem que zelar pela responsabilidade de suas cadeias, prevenir e dialogar com a sociedade em tempo integral, pois os impactos negativos, quando acontecem, podem se tornar globais.

Sem contar o saldo de uma certa crise de confiança, inconsciente ou meio cismada, que pode subtrair valor percebido dos produtos em todas as escalas – de mercados nacionais ao grande comércio internacional.

Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing.

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