Soja e pecuária bovina são os setores mais beneficiados com a alta do dólar frente ao real, diz diretor da Bolsa Brasileira de Mercadorias.
Real fraco favorece agronegócio, dizem especialistas

O agronegócio brasileiro registrou crescimento nos anos em que o dólar se fortaleceu em relação ao real, observou ontem Ivan Wedekin, diretor-geral da Bolsa Brasileira de Mercadorias.
Em debate sobre os efeitos da desaceleração da economia sobre o agronegócio, na Feicorte, Wedekin afirmou que dólar valorizado significa maior receita em reais para um setor com vocação exportadora – sobretudo em segmentos como os da soja e o de carnes.
Segundo ele, o segmento da carne bovina é particularmente beneficiado com a alta do dólar, já que os insumos utilizados na produção são pouco afetados pelo câmbio.
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Em contrapartida, ponderou, o câmbio mais fraco afeta os custos de insumos como fertilizantes e defensivos, cujos preços são atrelados ao dólar, e o endividamento das empresas que tomam recursos no exterior.
O diretor da BBM ponderou que, durante os últimos anos em que o dólar ficou mais baixo frente ao real, o agronegócio foi beneficiado pelos altos preços das commodities no mercado internacional – cenário que começou a mudar com a sinalização de recuperação da safra de grãos dos Estados Unidos e a tendência de queda das cotações em dólar em virtude da valorização da moeda americana.
Também presente ao debate, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles disse que o recuo dos preços das commodities agrícolas em dólar é uma das consequências da desaceleração da economia mundial, que tende a gerar uma queda moderada de demanda.
Meirelles, que preside o Conselho Consultivo da J&F (holding que controla o frigorífico JBS), disse que o agronegócio brasileiro não está “imune” à desaceleração, mas se disse otimista sobre as perspectivas de o país se beneficiar do crescente consumo de carnes na China.
Apesar das boas perspectivas para o setor, Wedekin observou que o agronegócio brasileiro não pode perder o patamar de consumo interno em um momento em que não há mais grande potencial de incremento dessa demanda, pois a ascensão das classes sociais ocorreu diante de uma economia estabilizada nos últimos anos. “O país não pode perder o benefício da inflação baixa. É a hora da gestão”, afirmou, referindo-se à necessidade de políticas para “colocar a inflação no lugar”.





















