Reunião faz parte do II Programa de Intercâmbio de Experiências sobre Modelos de Gestão de Políticas de Compras Públicas da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (Reaf).
Países do Mercosul debatem sobre compras públicas da agricultura familiar
Representantes do Governo Federal e da sociedade civil do Brasil se reúnem, entre os dias 24 e 27 deste mês de março, com líderes da Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela. O encontro, em Quito, faz parte do II Programa de Intercâmbio de Experiências sobre Modelos de Gestão de Políticas de Compras Públicas da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (Reaf).
A intenção do Programa é promover um processo de intercâmbio entre gestores e representantes de movimentos sociais envolvidos no tema das compras públicas com o objetivo de compor um grupo com conhecimento sobre a realidade regional, ao mesmo tempo em que as discussões contribuem para a estruturação e aprimoramento de políticas neste tema em cada país.
O diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor (Degrav) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Marcelo Piccin, será um dos porta-vozes brasileiros durante o intercâmbio. Para ele, a participação do MDA vai colaborar com a inclusão dos agricultores familiares nos circuitos comerciais e gerar oportunidades para o desenvolvimento dos países. “O Brasil é referência internacional na formulação de políticas públicas. No MDA, temos programas que são símbolos disso, que demonstram a importância dos programas de compras públicas no Brasil e, também, a aptidão dos agricultores familiares nesse processo”.
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Com a experiência dos módulos anteriores, o diretor considera que os programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Governo Federal, continuarão sendo destaque nas estratégias nacionais de segurança alimentar e nutricional, além de fomentar a produção de alimentos, geração de emprego e renda e ordenamento dos territórios.
“O PAA possibilita a compra direta da agricultura familiar, de alimentos que foram articulados na distribuição para a rede de proteção e promoção social no Brasil. É um programa que envolve vários ministérios e áreas diferentes do governo com sucesso. Já a aquisição de produtos da agricultura familiar pelo PNAE é um amadurecimento dessa experiência. São 47 milhões de estudantes – mais que toda a população da Argentina – se alimentando melhor e promovendo a qualidade de vida no campo”, salientou.
Agenda de trabalho
Neste segundo módulo do Programa, haverá um primeiro momento de atualização de informações sobre Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Depois, os participantes vão se aprofundar sobre a experiência do Equador.
O terceiro, quarto e quinto módulos do Programa de Compras Públicas da Agricultura Familiar devem ser realizados ainda este ano. Os encontros devem ocorrer no Paraguai, Bolívia e Venezuela, respectivamente.
“No módulo passado, o grupo compartilhou práticas brasileiras, argentinas, uruguaias e chilenas. Nesse segundo modulo, faremos uma atualização dessas experiências e vamos nos debruçar no que tem feito o governo do Equador. No fim de todas essas rodadas, poderemos sistematizar uma estratégia que atenda todos”, concluiu Piccin.
Exemplos brasileiros
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), criado em 2003, e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), regulamentado pela Lei 11.947 de 2009, são programas intersetoriais que buscam efetivar e operacionalizar a associação da produção familiar local e o consumo de alimentos em quantidade e qualidade compatíveis com o conceito de segurança alimentar.
O PAA estimula a compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar, com dispensa de licitação, e os destina às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional e àquelas atendidas pela rede socioassistencial e pelos equipamentos públicos de alimentação e nutrição. Já o PNAE, após as mudanças feitas na regulamentação em 2009, determina que no mínimo 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para alimentação escolar devem ser usados para a compra de produtos da agricultura familiar. Assentados da reforma agrária, indígenas e comunidades quilombolas têm prioridade no processo de seleção dos fornecedores.
Reaf Mercosul
A Reaf foi criada em 2004, por sugestão do governo brasileiro, como órgão assessor do Mercosul para temas relacionados à agricultura familiar. O método de funcionamento está baseado na participação de governos e sociedade civil, que têm direito à voz em todas as instâncias de trabalho da Reunião.
O objetivo é implementar uma política regional voltada ao fortalecimento da agricultura familiar no âmbito do Mercosul. A iniciativa propõe também contribuir com a integração social, econômica e comercial do Mercado Comum por meio da diminuição das desigualdades no campo e consolidação de programas governamentais para o setor.





















