Alerta da NOAA indica que distorções climáticas devem afetar desde hortaliças até commodities como soja e milho
El Niño ameaça inflação de alimentos e safra brasileira

O bolso do consumidor brasileiro e o planejamento do agronegócio devem enfrentar forte pressão nos próximos meses. Economistas e analistas do setor alertam que a consolidação do fenômeno climático El Niño — caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico — tem potencial para desestruturar as janelas de plantio e colheita no país, reduzindo a oferta de produtos essenciais e acelerando a inflação de alimentos.
A intensidade do evento ainda monitorada, mas a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) já estima mais de 60% de probabilidade de o fenômeno se manifestar com forte intensidade entre novembro e janeiro. Diante desse risco fiscal e inflacionário, o Ministério da Fazenda avalia revisar para cima a meta oficial de inflação para 2026, superando a projeção anterior de 4,5%.
Os impactos produtivos por cultura
O impacto macroeconômico do El Niño desenha cenários distintos para as principais cadeias de proteína e grãos do país, conforme apontam consultorias como o Itaú BBA, Insper e entidades setoriais:
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Grãos (Milho vs. Soja)
Ao contrário da soja, que historicamente registra ganhos de até 5% em anos de El Niño, a produtividade global do milho costuma recuar 4%.
No Brasil, o atraso no plantio da soja no Centro-Oeste reduz a janela ideal para a safrinha de milho. Para mitigar riscos financeiros, produtores do Mato Grosso tendem a reduzir a área plantada ou migrar para culturas mais resistentes, como o sorgo. No Sul, o excesso de chuvas ameaça a qualidade sanitária do cereal.
Proteína Animal (Carne e Leite)
O encarecimento projetado para o milho e a soja impacta diretamente os custos de ração para aves, suínos e gado confinado. Além disso, a seca severa prevista para o Centro-Oeste e Norte deve degradar pastagens, dificultando o ganho de peso do boi gordo e contraindo a captação de leite.
Complexo Cafeeiro
Arábica: As oscilações de temperatura e a perda de umidade do solo geram estresse hídrico. Isso antecipa floradas irregulares que tendem a ser abortadas, ameaçando o potencial produtivo e reduzindo a qualidade do grão. A estimativa inicial de colher 66 milhões de sacas está sob forte risco.
Conilon: No Espírito Santo e Rondônia, o excesso de chuva já atrasou a colheita atual, o que abre margem para a proliferação de pragas e fungos e estimula a especulação de preços no mercado internacional.
Citricultura e Cana-de-Açúcar
Laranja: O forte calor previsto para o cinturão citrícola paulista entre setembro e novembro pode provocar o abortamento de flores. Com a oferta restrita, os preços do suco de laranja devem subir.
Cana: No Centro-Sul, chuvas acima da média na colheita reduzem a concentração de ATR (açúcar total recuperável) na planta. Já no Nordeste, a seca extrema compromete o crescimento dos canaviais.
Hortifrúti
Sul: O excesso de umidade prejudica diretamente culturas de solo como batata, cebola, tomate e cenoura, além de aumentar as doenças fúngicas nas lavouras de uva e maçã.
Nordeste: O cenário de seca inverte o jogo e favorece a colheita e a doçura de frutas cultivadas em polos de irrigação, como o melão e a melancia.
Fonte: CNN























