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China, UE e EUA concentram comércio do Brasil

Balanço revela dependência dos três maiores mercados globais, mas exportadores enfrentam leis ambientais a ameaças de tarifas

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China, UE e EUA concentram comércio do Brasil

Os dados consolidados da balança comercial brasileira apontam que China, União Europeia e Estados Unidos continuam ancorando o fluxo das exportações nacionais. No entanto, o fechamento do primeiro semestre mostra que o Brasil enfrenta desafios estruturais distintos em cada uma dessas frentes: a relação com os chineses esbarra em limites de volume, o comércio com os europeus exige conformidade regulatória severa e as transações com os norte-americanos dão sinais de retração sob o fantasma do protecionismo.

Ao lado desse trio, a Argentina preserva sua posição de destaque no bloco de principais parceiros, impulsionada e protegida pelas regras aduaneiras do Mercosul.

China: O motor do superávit bilionário

A China consolida-se como o principal destino das mercadorias brasileiras e o grande sustentáculo do saldo comercial do país. No balanço acumulado de janeiro a junho, as vendas para o mercado chinês cresceram 21,9%, atingindo US$ 58,32 bilhões. A corrente de comércio bilateral alcançou expressivos US$ 96,87 bilhões, garantindo um superávit de US$ 19,78 bilhões para o Brasil.

Apesar da robustez dos números, o agronegócio acompanha a parceria com cautela. O ritmo acelerado dos embarques de proteína animal acendeu o alerta para o risco de esgotamento precoce das cotas anuais de importação de carne bovina estabelecidas por Pequim, o que pode impor travas e volatilidade ao setor nos próximos meses.

União Europeia: Crescimento em valor sob forte cerco regulatório

O comércio com o bloco europeu registrou uma recuperação financeira importante no semestre, somando US$ 26,91 bilhões em exportações brasileiras (alta de 12,8%) e um saldo positivo de US$ 2,64 bilhões. Em junho isolado, o avanço dos embarques foi de 43%, movimentando US$ 4,89 bilhões.

Contudo, o acesso ao mercado europeu está cada vez mais desvinculado dos preços competitivos e atrelado a barreiras não tarifárias. O Brasil enfrenta forte pressão com exigências de rastreabilidade socioambiental e sanidade. Além da lei antidesmatamento (EUDR), o foco regulatório europeu se estendeu para restrições rígidas contra o uso de antimicrobianos na pecuária, um movimento intensificado pela pressão de produtores locais que acusam o agro brasileiro de concorrência desleal.

Estados Unidos: O elo mais frágil e sob risco de tarifas

Os Estados Unidos apresentam o cenário mais preocupante entre os três maiores compradores do Brasil. No acumulado do semestre, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 13%, caindo para US$ 17,43 bilhões, enquanto as importações vindas de lá cederam 12,5% (US$ 18,95 bilhões). Com isso, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 1,52 bilhão com Washington, e a corrente de comércio encolheu 12,8%.

Esse esfriamento comercial coincide com o avanço de discussões na gestão de Donald Trump sobre a aplicação de potenciais tarifas adicionais — que podem atingir até 37,5% para produtos específicos —, transformando os EUA no vetor mais abertamente protecionista e de maior risco político direto para a pauta exportadora nacional.

Fonte: CNN

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