O banimento do uso de promotores de crescimento na alimentação animal foi um dos assuntos enfocados durante o primeiro dia da Conferência Apinco 2005.
Em busca de alternativas
Redação AI 04/05/2005 – A restrição total do uso de promotores de crescimento na dieta das aves é atualmente motivo de grande preocupação para todos os técnicos avícolas brasileiros. Não por acaso. Prevista para entrar em vigor a partir de janeiro de 2006, a Legislação Européia que proíbe o uso de aditivos na alimentação animal terá grande impacto na produção brasileira. O assunto foi amplamente discutido hoje (04/05) na Conferência Apinco durante a realização do Painel “Alternativas ao Uso de Quimioterápicos na Dieta das Aves”.
Na primeira palestra do Painel, Pim Langhout, gerente de produtos avícolas da empresa holandesa Provimi, falou sobre a visão da indústria sobre o assunto e das medidas que vêm sendo adotadas pelos produtores do continente para substituir o uso dos promotores de crescimento. Segundo ele, a decisão européia de banir o uso de promotores de crescimento é conseqüência da forte pressão dos consumidores europeus que, cada vez mais, exigem da cadeia ligada à produção animal uma postura mais crítica quanto a qualidade e segurança dos alimentos, em especial ao uso de medicamentos veterinários durante sua produção. “Essa questão começou a ser discutida há cinco anos atrás e muitos acharam que seria o fim da avicultura com altos índices de produtividade”, afirma Langhout. “Mas trata-se de uma decisão que não tem mais volta”,completa.
Impactos – A constatação da presença de resíduos de aditivos em produtos cárneos e o receio da indução da resistência bacteriana, veiculadas por alimentos de origem animal, argumenta, fizeram com que os aditivos passassem a ser vistos como fatores de risco para a saúde humana e formam o pano de fundo para a construção da Normativa que bane a utilização de antibióticos promotores de crescimento a partir de 2006.
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De acordo com o especialista, a redução do uso de promotores de
crescimento na dieta das aves tem gerado grande impacto na produção avícola européia.
Segundo ele, a experiência dinamarquesa, que registrou um aumento significativo do uso de produtos terapêuticos após a proibição da utilização dos aditivos, teve entre seus reflexos uma queda acentuada na eficiência alimentar das aves (entre 2 e 3%), aumento da umidade da cama e redução da rentabilidade dos produtores. “A proibição teve um grande impacto sobre oscustos de produção na Dinamarca”, afirma Langhout.
Estratégias alternativas – A Legislação Européia tem obrigado os técnicos do setor avícola mundial a buscar alternativas para a substituição dos atuais promotores de crescimento. Nesse sentido, Langhout falou sobre os esforços que têm sido feitos atualmente pelas empresas européias para atender a essa nova legislação. Segundo ele, basicamente, as empresas têm procurado alterar a formulação das dietas, mudar o manejo das aves e promover uma maior comunicação entre nutricionistas e médicos veterinários para a prevenção de doenças. “Nosso primeiro obstáculo é tornar as aves mais resistentes a enfermidades. Para isso estamos promovendo um melhor manejo, a otimização da composição da dieta das aves e do status sanitário do plantel”, explica.
Segundo Langhout, o uso de uma dieta pré-inicial adequada também ajuda a melhorar o status sanitário das aves e minimizar os impactos negativos da retirada dos promotores de crescimento da dieta das aves.
Durante sua apresentação Langhout apresentou ainda alguns estudos e
experiências com administração de ácidos orgânicos e óleos essenciais
como alternativas ao uso de promotores de crescimento.
Em sua conclusão, o especialista argumentou que o principal desafio do segmento avícola mundial é promover a substituição dos promotores de crescimento e, ao mesmo tempo, restabelecer a rentabilidade da atividade.





















