Aziz Sacranie afirma que Brasil deve ficar alerta. Em palestra no 6o Simpósio Técnico, ele relatou a experiência do foco ocorrido na Holanda em 2003.
Preocupação com a Influenza
Redação AI 28/10/2005 “É preciso que o Brasil faça alguma coisa porque se Influenza chegar aqui ela destruirá a avicultura brasileira”, alerta Aziz Sacranie. Diretor técnico na Área de Avicultura da Alltech Ásia, ele esteve no 6o Simpósio Técnico de Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição para falar sobre o banimento europeu dos promotores de crescimento. Mas, a pedido da organização do evento, logo que encerrou sua palestra, abordou a questão da Influenza Aviária, relatando em sua apresentação o foco detectado na Holanda em 2003.
O foco holandês, explicou o especialista, ocorreu numa região com grande densidade avícola, na qual havia várias pequenas propriedades de criação extensiva de aves (criadas soltas), provavelmente contaminadas via água por meio de aves silvestres. Para controlar a situação, o governo holandês isolou a área onde foi registrado o foco. Num raio de 1 km todas as aves foram abatidas. A mortalidade das aves foi grande. Dos 44 milhões de aves existentes na Holanda, em três meses ficaram apenas 25,6 milhões. Cerca de 450 pessoas foram contaminadas, ocorrendo à morte de um médico veterinário.
O vírus no foco holandês foi o H7N7, mas não menos virulento que o H5N1 que está se espalhando hoje. Aziz relata que o H7N7 foi inoculado em uma ave sadia e monitorada a cada 90 minutos. Em cinco horas, aproximadamente, a ave estava morta. Após o abate e as medidas sanitárias, a região afetada na Holanda foi repovoada com 25% da densidade anterior com aves sentinelas. Geralmente são 90 dias neste processo, mas o governo holandês só autorizou o repovoamento depois de realmente confirmada que o vírus havido sido erradicado.
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Abate Aziz relata que para abater as aves da área infectada, devido a política de bem-estar animal em voga na Europa, houve a necessidade de se atordoar as aves com CO2 (gás carbônico) em quantidade que a levasse à morte. Como pelo sistema móvel de CO2 só era possível o abate de duas mil aves por hora, deu-se início ao bombeamento do gás para os aviários, matando assim o lote todo. Porém, conforme explica Aziz, a Holanda é um país plano e a poeira se dissemina sem encontrar grandes barreiras naturais. Isto disseminou o vírus para uma área maior, obrigando o governo holandês a ampliar o raio de abate de 1 km para 3 km. “Eles conseguiram eliminar o vírus da Influenza Aviária, mas a um custo altíssimo”, relata Aziz. O foco foi detectado em fevereiro de 2003. No dia 11 de julho do mesmo ano as restrições à área foram retiradas.
Comoção Durante todo o processo criou-se uma comoção muito forte no país. Galinhas que tinham até nome e pertenciam a famílias na região tiveram que ser sacrificadas, assim como outras aves. Aziz apresentou uma capa de revista holandesa onde um personagem de desenhos infantis, muito comum no país, que é um frango, aparece num moedor de carne, com a foto de uma criancinha chorando. “A mídia muitas vezes dificulta e não compreende a importância das medidas sanitárias”, comenta Aziz. “Criou-se uma comoção que talvez levasse ao risco de toda uma geração de jovens não quererem comer mais carne de frango.”





















