Os aspectos práticos de um programa de biosseguridade foi o tema apresentado pelo veterinário e Sanitarista da Perdigão no Seminário Internacional de Aves e Suínos, que está sendo realizado na AveSui América Latina.
A importância da prevenção
Redação (26/04/06) –
Nesse contexto, o segmento produtivo tem cada vez mais se preocupado em assegurar a sanidade dos rebanhos através da adoção de programas de biosseguridade. Afinal, medidas curativas são sempre bem mais onerosas para o produtor quando comparadas a medidas preventivas.
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Os aspectos práticos da execução de um programa de biosseguridade foi o tema apresentado pelo médico veterinário e Sanitarista Corporativo da Perdigão Agroindustrial S.A., Augusto Heck, na abertura do Seminário Internacional de Aves e Suínos, que está sendo realizado na AveSui América Latina.
Segundo o especialista, não existe um plano de biosseguridade polivalente, que possa ser adotado por todas as granjas. Cada propriedade suinícola apresenta características próprias que podem comprometer a eficácia de um programa de biosseguridade cujo modelo não contempla tais particularidades. “O plano de biosseguridade deve, portanto, ser um processo dinâmico adaptado em cada situação mediante a avaliação dos riscos presentes e resultados esperados”, explica Heck. “Deve ser também flexível, que terá que ser revisado na medida em que haja alteração de desafios, expectativas ou orçamento”.
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Requisitos básicos Para a elaboração de um programa de biosseguridade eficaz, explica Heck, é necessário que o produtor obedeça a uma série de requisitos básicos. Um deles é a realização de um levantamento inicial, para a determinação de quais os agentes bacterianos e virais estão presentes no plantel, qual a fonte de infecção dentro do plantel para cada agente de interesse, quais os agentes que o suinocultor não deseja ver disseminado em seu plantel, entre outras determinações. É preciso também que o produtor estabeleça objetivos específicos para o programa de biosseguridade a ser adotado. Para tanto, explica o especialista, é preciso que o produtor se questione sobre quais os agentes mais importantes estar ausentes do plantel considerando, se o objetivo é conter um surto de doença num local ou subpopulação no plantel, se o objetivo é evitar que as instalações se tornem uma fonte de agentes para os lotes sucessivos de animais nela alojados, etc.
É necessário ainda que o produtor avalie os riscos dentro da granja e para a granja. “O produtor precisa identificar as fontes externas ao plantel do agente de interesse”, afirma. Segundo Heck, as fontes potenciais de agentes incluem animais de reposição, sêmen, ração, água, mão-de-obra, dejetos, roedores, insetos etc.
Outro passo importante é identificar quais as fontes potenciais oferecem mais risco de introdução do agente no plantel. “Essas fontes devem ser priorizadas para identificar quais podem ser controladas por oferecer riscos ao plantel alvo. Os critérios de priorização devem considerar a freqüência de contato, nível de contaminação, tempo de sobrevivência do agente”, explica o especialista.
Abrangência do plano – De posse de todos esses dados, o produtor está pronto, afirma Heck, para determinar a abrangência do plano de biosseguridade a ser implementado. “A abrangência do plano dependerá primeiramente do nível de risco que se pretende aceitar. O próximo fator a considerar é o orçamentário. Porém devemos considerar o custo do impacto da entrada da doença como um balizador para orçamentação. Vale a ressalva que os planos são específicos por granja, não sendo, portanto, generalizáveis”, diz.
Na seqüência de sua apresentação, Heck falou sobre os procedimentos que devem ser implementados e respeitados para assegurar a eficácia do programa de biosseguridade. Entre eles a proibição de visitas e veículos estranhos à granja, a manutenção de barreiras vegetais, cuidados com o transporte de insumo e rações, que devem ser feitos por caminhos específicos e acondicionados em locais seguros, controle de vetores, cuidados com a introdução de equipamentos e animais na granja, com o destino dos animais mortos, etc.
Heck falou ainda sobre a importância da avaliação da efetividade dos procedimentos de biosseguridade. Segundo ele, as pessoas, as instalações, os equipamentos, os suínos e agentes de interesse estão em constante mudança. “Assim sendo, procedimentos que funcionavam no passado podem não funcionar no presente ou futuro. Por isso que todos os procedimentos de biosseguridade devem ser periodicamente avaliados”, explica.
Necessidade vital De acordo com Heck, os novos desafios que as doenças modernas estão trazendo à cadeia produtiva suinícola têm demonstrado que um sistema moderno de produção deve, obrigatoriamente, estar consorciado com um plano abrangente de biosseguridade. “Esse plano de biosseguridade deve ser concebido adaptando-se à realidade de cada granja, de forma a obter o difícil consenso entre os interesses do proprietário, do médico-veterinário, da agroindústria, do mercado e do consumidor final”, observa Heck.
Segundo o sanitarista da Perdigão, a prevenção à entrada de doenças melhoria de desempenho, redução do uso de medicamentos, redução das zoonoses, produção de carne suína de forma lucrativa são alguns dos benefícios da prática consistente da biosseguridade. “Essas são razões mais que suficientes para discutir, arquitetar e implementar um plano prático de biosseguridade”, concluiu Heck.





















