As principais falhas reprodutivas de matrizes suínas foram discutidas pela veterinária, Anamaria Vargas, no V Seminário Internacional de Aves e Suínos, que está sendo realizado na AveSui 2006.
Falhas reprodutivas
Redação (27/04/2006) –
As falhas reprodutivas são hoje um dos motivos mais freqüentes de remoção de matrizes de um rebanho comercial de suínos. De acordo com a especialista, os principais tipos de falhas reprodutivas são: o retorno ao estro após cobertura, abortamento, fêmea vazia ao parto e anestro. “Em granjas comerciais, a taxa anual de remoção de matrizes, que compreende fêmeas descartadas ou mortas, é de, aproximadamente, 50%, sendo que, dessas remoções, 32 a 40% ocorrem devido a falhas reprodutivas”, observa.
Leia também no Agrimídia:
- •Nova UPL da Colonias Unidas inicia operação no Paraguai com suporte técnico da Agroceres PIC
- •Treinamento no RS atualiza técnicos sobre novas regras para granjas de reprodutores suínos certificadas
- •Espanha amplia controle da Peste Suína Africana após novos casos em javalis na região de Barcelona
- •XX Encontro Regional da ABRAVES-PR debate riscos sanitários e inteligência artificial na suinocultura
De acordo com Vargas, tais dados, por si só, demonstram a importância das falhas reprodutivas que agem interferindo na produção, promovendo o aumento dos dias não produtivos e a elevação da taxa de remoção de matrizes do plantel, provocando importantes perdas econômicas na indústria suína.
Em sua apresentação, Vargas discutiu as principais falhas reprodutivas de matrizes suínas. Segundo ela, a taxa de retorno ao estro após a cobertura é um importante parâmetro utilizado para indicar falha reprodutiva em porcas, podendo ser utilizada para aferir a eficiência do manejo reprodutivo na propriedade. O retorno ao estro após a cobertura, explica Vargas, pode ser classificado de acordo com a duração do intervalo em retorno regular e irregular. O retorno regular ao estro ocorre no intervalo entre 18 a 24 dias após a cobertura. De acordo com a pesquisadora, considera-se normal que 5 a 9% das fêmeas cobertas retornem ao estro em um intervalo regular. “A ocorrência de retorno regular indica que o trato reprodutivo não reconheceu a gestação, devido à falha na fecundação ou ocorrência de mortalidade embrionária precoce”. Segundo Vargas existem vários motivos par a esse tipo de ocorrência. Entre eles má qualidade do sêmen, falha na técnica de inseminação artificial, falha na ejaculação, obstrução no trato genital, morte dos espermatozóides etc.
Já o retorno irregular ao estro após a cobertura, explica a especialista, é aquele que ocorre em intervalos menores – menos de 18 dias – ou maiores de tempo – mais de 24 dias – do que a duração normal do ciclo estral. De acordo com Vargas, as causas do retorno irregular são complexas e dependem do intervalo cobertura/retorno ao estro. “Quando o intervalo é menor que 18 dias, o que é raro, pode ser devido à curta fase luteal, inseminação fora do estro, erro de registro ou falha total na ovulação”, explica. “Quando o intervalo for maior que 24 dias, pode ser devido a inatividade ovariana; não detecção do estro, quando ocorre no intervalo entre 36 a 48 dias ou 54 a 72 dias, falha na ovulação devido à formação de cistos foliculares; perda total dos embriões após haver o reconhecimento da gestação, aos 16 35 dias”. Segundo Vargas, ainda pode ocorrer retorno irregular devido a agentes infecciosos, micotoxinas, defeitos genéticos, febre ou outras situações estressantes.
Abortos Vargas explica que das fêmeas descartadas por motivos reprodutivos, 7,4 são em função de abortamentos. Sob a ótica clínica e patológica, existem duas categorias de abortamentos conforme a causa: os não infecciosos e os infecciosos. No abortamento originado por uma causa não infecciosa, explica a especialista, a luteólise é o evento que desencadeia a falha. “Esse tipo de abortamento é similar a um processo de parto normal, em características e duração, no qual os fetos expulsos apresentam-se de forma normal, podendo até estarem vivos”, afirma. “A menos que o abortamento seja seguido de uma doença sistêmica, a porca apresenta-se saudável, recuperando-se rapidamente e apresentando grande chance de obter sucesso numa subseqüente cobertura”.
De acordo com Vargas, 70% dos abortamentos ocorrem devido à infertilidade sazonal. Como fêmeas suínas, historicamente, produzem uma leitegada por ano, com partos durante a primavera, explica a especialista, essa espécie apresenta uma tendência adquirida de não manter a gestação durante os períodos de verão e outono. “Esse problema é conhecido como infertilidade do verão e síndrome do aborto de outono, onde os fatores ambientais são as prováveis causas do desaparecimento do corpo lúteo, porém a causa desse tipo de abortamento ainda não está completamente esclarecida”, explica.
Segundo Vargas, o segundo tipo de abortamento tem como causa inicial um processo infeccioso uterino. De acordo com ela, os agentes infecciosos podem agir de várias formas, invadem o ambiente uterino e matam o feto e/ou multiplicam-se na placenta interrompendo o suprimento sanguíneo para o feto, podendo também causar uma infecção generalizada desencadeando um processo febril na porca, ocasionando o abortamento. “Normalmente esses abortamentos ocorrem de forma lenta, apresentando-se como uma situação de desconforto para a fêmea, com expulsão dos fetos em decomposição e ocasionando uma toxemia na porca”, comenta. “A recuperação pode levar poucos dias, porém o prognóstico de futuras coberturas é ruim”. De acordo com Vargas, os principais agentes infecciosos que causam aborto são vírus da Doença de Aujeszky, Brucella suis, Erysipelothrix rhusiopathiae, vírus da Influenza, Leptospira pomona, PRRS, Toxoplasma gondii, adenoviroses, vírus da peste suína africana, Actinobacillus pleuropneumoniae, estomatite vesicular entre outros.
Vazia ao parto Segundo Vargas, fêmeas denominadas “vazias ao parto” são aquelas que foram cobertas e não retornaram ao estro após a cobertura. Mas que com a proximidade do parto, no entanto, não apresentam sinais de distensão abdominal e desenvolvimento da cadeia mamária. “A avaliação dos órgãos do aparelho reprodutor ao abate é recomendada, pois o achado de porcas apresentando ovários cíclicos, pode ser um indicativo de falhas no manejo de detecção do estro”, avalia. “Dessa forma, a não detecção do retorno ao estro após cobertura provoca esse tipo de falha reprodutiva”.
Outra causa de fêmea vazia ao parto, explica a especialista, são aquelas porcas em que os ovários desenvolvem corpo lúteo persistente, devido à administração de terapêuticos, promotores de crescimento, intoxicação por micotoxinas ou mumificação total da leitegada no útero. Outra importante causa de fêmea vazia ao parto, ressalta Vargas, são a presença de cistos ovarianos, que podem ter seus tecidos luteinizados “e passarem a produzir progesterona em quantidade suficiente para suprimir a manifestação do estro, desenvolvendo uma falsa gestação”.




















