O racionamento de energia na Argentina já começou a afetar as indústrias de processamento de soja do país e também as fábricas de insumos, o que leva à previsão de que haverá problemas para o plantio da próxima safra de grãos de verão (2007/08).
Processamento reduzido na Argentina
Redação (03/07/07) – Segundo a analista do Departamento de Informações Econômicas da Bolsa de Rosário, Lorena D””Angelo, as processadoras de soja e as indústrias de fertilizantes estão há uma semana sendo obrigadas a parar as atividades por seis horas diárias para cumprir com a economia forçada pelo governo federal a todas as empresas, de todos os setores, como uma forma de evitar que o racionamento atinja as residências.
Ainda não foi medido o impacto dos cortes de energia sobre o total processado, mas, segundo Lorena D´Angelo, já está havendo atrasos na entrega e nos embarques da produção já colhida, por caminhos e barcos que chegam e saem do pólo sojeiro de Rosário, um dos maiores do mundo. Além de faltar eletricidade para mover as esteiras, também está faltando combustível para os caminhões.
O Valor apurou que uma das grandes esmagadoras mundiais do grão – parte do seleto grupo das "ABCD" (ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus) reduziu suas atividades em 30%, e que outras empresas já fizeram cortes de 40% no nível de suas operações no país.
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"O pólo está tendo mais problemas com a falta de energia que no resto do país devido à alta concentração de fábricas", afirma a analista. De acordo com ela, já se estima um déficit de 150 mil a 300 mil toneladas de uréia para suprir a demanda de 900 mil toneladas necessárias para a produção de fertilizantes destinados à próxima safra. Preocupados com a falta de insumos para o plantio que se inicia em setembro, os produtores estão antecipando as compras, o que ajuda a pressionar as indústrias e afeta preços internos e externos.
A possível falta de fertilizantes preocupa ainda mais por conta do já elevado nível de preços no mercado internacional, influenciado pelo petróleo e pela própria demanda, sobretudo a americana para a produção de milho.
Em 2006/07, a produção argentina de soja bateu recorde histórico e chegou a 47 milhões de toneladas. Passam pelo complexo de Rosário, na província de Santa Fé, cerca de 80% desse total e, na Bolsa de Rosário, 45% da comercialização de cereais e oleaginosas.





















