USDA revê para baixo previsão de produção da oleaginosa. Entretanto, preço ainda cai.
EUA produz menos soja
Em seu relatório sobre o quadro de oferta e demanda de grãos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) fez ajustes substanciais na projeção de oferta e consumo de soja e milho. As alterações, contudo, tiveram impacto apenas marginal sobre os preços das commodities, pois, de acordo com analistas, já eram esperadas pelo mercado.
Entre o relatório apresentado em julho e o de ontem, foi reduzida em 1,7 milhão de toneladas, para 242 milhões, a projeção de produção de soja na safra 2009/10. Com isso, a previsão é que os estoques finais atinjam 50,32 milhões de toneladas na temporada, um volume quase 3% menor que a projeção feita em julho – a diminuição foi de 1,5 milhão de toneladas.
Poderia ser um dado “altista” para o preço do grão, mas o dia foi de baixas para os contratos de segunda posição de entrega, normalmente os de maior liquidez negociados na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em setembro recuaram 5 centavos de dólar, para US$ 10,9250 por bushel.
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Os investidores ajustaram suas posições no dia anterior, já esperando alterações, pelo USDA, no quadro de oferta e demanda. Os contratos para setembro haviam subido 30 centavos de dólar na terça-feira.
O relatório de agosto tem particular relevância por ser o primeiro sobre a safra 2009/10 com dados coletados no campo nos EUA. “O USDA trouxe a [projeção de] produtividade para um nível mais realista”, disse Renato Sayeg, da Tetras Corretora. Os 41,7 bushels por acre estão dentro da média de produtividade; a projeção anterior era de 42,6 bushel por acre.
Com as condições climáticas consideradas ideais nas lavouras americanas, a produção global de milho na temporada 2009/10 deverá ser de 796,33 milhões de toneladas, segundo o USDA, volume 6,5 milhões de toneladas maior que a previsão feita em julho. A previsão de estoques finais foi aumentada em mais de 2 milhões de toneladas, para 141,40 milhões de toneladas.
Embora “baixista”, o dado, assim como ocorreu ontem nos negócios com soja, não teve o efeito sobre os preços que, em outras situações, poderia ter. Em Chicago, os contratos para dezembro fecharam em alta de 5,25 centavos de dólar, a US$ 3,3625 por bushel.
Para o trigo, o USDA aumentou de um mês a outro em quase 3 milhões de toneladas, para 659,29 milhões de toneladas, sua projeção de produção global. O dado foi contrabalançado por um aumento, praticamente de mesma dimensão, na previsão de consumo do cereal.
Consolidou-se, de qualquer forma, um cenário um pouco mais folgado no quadro de oferta e demanda global da commodity, segundo Elcio Bento, analista de trigo da Safras&Mercado. “O quadro atual não justifica grandes elevações de preço”, disse.
O mercado de trigo passou parte do ano de 2008 com projeção de estoques apertados. Segundo o USDA, a safra 2007/08 terminou com estoques finais de 121,81 milhões de toneladas. Ontem, a estimativa para a safra 2008/09 foi de estoques finais de 169,50 milhões de toneladas. Para o ciclo 2009/10, a projeção é de 183,56 milhões de toneladas. Em Kansas, os contratos para dezembro subiram ontem 2,5 cents, para US$ 5,3575 por bushel.





















