Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 71,09 / kg
Soja - Indicador PRR$ 122,00 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 128,80 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,12 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,94 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,76 / kg
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Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 178,01 / cx
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Governo chinês sai em defesa de transgênicos

Ministério da Agricultura e outros órgãos oficiais passaram a respaldar segurança desses alimentos.

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Governo chinês sai em defesa de transgênicos

Acuado entre uma maior pressão pelo aumento de seus recursos alimentares e o ceticismo da opinião pública em torno de alimentos transgênicos, o governo chinês intensificou sua campanha de “relações públicas” para abrir caminho para a plena aprovação da produção comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs) no país.

Nos últimos meses, o Ministério da Agricultura e outros órgãos oficiais fizeram uma série de declarações e promoveram eventos nos quais respaldaram ruidosamente a segurança dos OGMs – desde a apresentação de pesquisas sobre pepinos até degustações de arroz. “Alimento transgênico” é um termo técnico referente a organismos que tiveram suas configurações genéticas artificialmente submetidas a uma reengenharia, como o milho que se tornou resistente a pragas.

Em Wuhan, a capital da Província de Hubeina situada na região central da China, ativistas pró-OGMs da conceituada Universidade de Agricultura de Huazhong realizaram uma festa no início do mês na qual ofereceram bolo e mingau feitos de “arroz dourado” transgênico, modificado de modo a produzir mais betacaroteno, uma forma de vitamina A e cultivado pela universidade.

Testes de degustação similares foram realizados em mais de 20 cidades desde maio, informou a agência estatal de notícias Xinhua.

Recentemente, o Ministério da Agricultura divulgou comunicado elogiando as pesquisas do cientista Huang Sanwen, da Academia de Ciências Agrícolas da China, que mapeou o código genético do pepino. O trabalho, destacou o ministério, foi publicada na influente revista global “Nature Genetics”, que trata de pesquisas genéticas de alto nível.

Dias antes, o ministério divulgara um ensaio exaustivo no formato de perguntas e respostas destinado a rebater uma série de libelos anti-OGMs publicados pela mídia. O órgão direcionou sua investida – não pela primeira vez – a um ensaio publicado no diário nacionalista “Global Times” por Peng Guangqian, general de divisão do Exército de Libertação do Povo, que advertiu que seria tolice, do ponto de vista estratégico, permitir que os EUA ameaçassem a segurança alimentar da China fomentando a dependência do país em relação ao milho transgênico americano.

O ministério também identificou outros artigos na mídia local, entre eles os do diário “China Business News”, que, em sua visão, “revitalizaram rumores segundo os quais os alimentos transgênicos causam câncer e afetam a fertilidade e voltaram a gerar pânico entre as pessoas sobre as técnicas dos OGMs”.

Confrontado por acadêmicos “pesos-pesados” destacados para esse fim, Pequim afirmou não ter havido qualquer problema de segurança à saúde vinculado a OGMs. Os alimentos transgênicos “passam por rigorosa avaliação de segurança pré-mercado” e sua produtividade é muito maior que a de produtos agrícolas tradicionais, rebateu a Pasta.

O último ponto é de crescente importância para a China. O país mais populoso do mundo se defronta, pela primeira vez em dez anos, com a possibilidade de sua produção de arroz estar em queda. Embora a safra de grãos da China deste ano tenda a permanecer sólida, importações de grãos básicos, como o milho – 95% das compras são de variedades transgênicas procedentes dos EUA -, disparam desde 2010.

“O uso de recursos naturais internos e externos, e a coordenação entre esses dois mercados, é a opção inevitável da China”, informou o ministério. E acrescentou que os EUA não são apenas os maiores produtores de milho transgênico, mas também seus maiores consumidores.

A ofensiva pode ser um sinal de que o governo está se preparando para autorizar a produção comercial interna de transgênicos agrícolas. “O próximo passo será aumentar a propaganda científica, a fim de criar um ambiente de boa opinião por parte da população e acelerar as emendas regulatórias referentes aos OGMs”, publicou o “Beijing News”, atribuindo a declaração a uma autoridade não identificada do Ministério da Agricultura. Procurado, o órgão não se manifestou sobre a questão.

A China autoriza atualmente a produção de tomate, algodão, papaia e pimentão transgênicos. Permite, também, a importação de milho, soja, canola e algodão transgênicos para uso em ração animal e para outras formas não humanas de consumo. Em novembro de 2009, o país concedeu certificados de biossegurança – que permitem testes de campo – a duas variedades de arroz e a uma de milho, resistentes a pragas.

O sentimento na mídia e no universo chinês de microblogs (semelhante ao Twitter) tende a questionar a segurança dos alimentos transgênicos num país já repleto de escândalos envolvendo alimentos. Por enquanto, uma avalanche de opiniões críticas ainda separa a produção comercial desses cultivos da aprovação por parte do Ministério da Agricultura.

Mas a blitz de publicidade de Pequim pode não se restringir mais, agora, a uma instável guerra de palavras contra teóricos dos meios militar e acadêmico. Pode se tornar um impulso acelerado para mudar a maré da opinião entre as massas. Nos testes de degustação do “arroz dourado” de Wuhan, voluntários envergaram camisetas com um slogan capcioso: “Ame a Ciência, Apoie a Modificação Genética”.

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