Analistas dizem que depois de 15 dias de protestos, situação não é tão ruim e que já foi ‘digerida’.
Egito já não assusta mais os mercados
O risco Egito recuou para o nível mais baixo desde que os protestos contra o governo começaram há duas semanas, em mais um sinal de que os mercados e a economia de modo geral estão se acomodando à crise política e à sequência de manifestações pela queda do regime de Hosni Mubarak.
O custo para assegurar o pagamento dos títulos da dívida soberana caiu 5 pontos-base (ou 0,05%) ontem em relação a segunda-feira, fechando em 340 pontos.
“O mercado digeriu o fato de que as coisas mudaram e que a situação atual não parece tão calamitosa”, disse Oliver Bell, da Pictet Asset Management, de Londres, e que ajuda a administrar cerca de US$ 10 bilhões em ativos em mercados emergentes.
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“Não é tão ruim como todo mundo pensava quando a violência explodiu, mas não acredito ainda que possamos saber qual será o desfecho [da crise].”
Uma evidência de que os protestos não assustam mais tanto os investidores foi o resultado de segunda-feira do leilão de títulos de dívida no qual o governo quase conseguiu os 15 bilhões de libras egípcias (US$ 2,5 bilhões) que planejava obter.
“A situação no Egito parece mais calma”, disse Joseph Trevisani, analista-chefe de mercados da FXSolutions. “Os protestos não acabaram, mas parece haver menor disposição para o confronto.”
Antoine van Agtmael, da Emerging Markets Management, sintetizou assim a visão de vários analistas e investidores: “As chances de que as coisas evoluam de forma positiva no Egito são bastante boas, por isso eu tenderia a assumir uma posição de comprar, e não de vender, no Egito”.
Os protestos pelo fim do regime de Mubarak começaram no dia 25 no Cairo. Cerca de 300 pessoas já foram mortas, segundo cálculo da ONU.
As negociações entre o governo e opositores, abertas no fim de semana, para a elaboração de mudanças constitucionais necessárias para pôr fim aos 30 anos da ditadura do presidente Hosni Mubarak, já produziram “grande progresso”, segundo um empresário que toma parte do diálogo. O governo americano se disse otimista com o avanço das negociações.
Entre os que ainda preferem a cautela, Rajeev Mittal – que ajuda a administrar mais de US$ 80 bilhões na PineBridge Investments, em Londres – diz que “é ainda um pouco cedo” para achar que o quadro já mudou no Egito. “Há ainda muita incerteza no Egito em termos de como será a transição de poder e isso cria um ambiente de não muita liquidez no mercado.”
Os manifestantes continuam mobilizados na Praça Tahrir, centro da capital. Milhares deles estão alojados no local, que já começa a ganhar contornos de um grande assentamento improvisado no coração do Cairo. Muitos dizem que permanecerão na praça até que Mubarak deixe a Presidência – algo que o presidente rejeita fazer antes de setembro, quando o país tem agendadas eleições presidenciais. Ontem, no Cairo e em outras cidades egípcias, as manifestações reuniram multidões novamente em defesa do fim do regime.
O cenário da praça faz lembrar o México de 2006. Foi quando milhares de apoiadores do candidato derrotado à Presidência Andrés Manuel Lopez Obrador iniciaram uma mobilização no centro da Cidade do México dizendo que o pleito havia sido fraudado. Os apoiadores de Obrador permaneceram por meses acampados na praça central da cidade, mas não conseguiram reverter o resultado que deu a vitória ao então candidato do governo, o atual presidente Felipe Calderón.





















