Saiba como organizações de agricultores da UE exigem segurança alimentar e autonomia estratégica em resposta a desafios econômicos.
Agricultores europeus reclamam por segurança alimentar e autonomia em meio a desafios econômicos

Organizações de agricultores de toda a União Europeia expressou forte descontentamento com as atuais políticas do bloco, afirmando que a UE está prejudicando seus próprios agricultores. Em conjunto, assinaram a Declaração de Varsóvia, na presença do vice-primeiro-ministro polonês e do ministro da Defesa, defendendo que “a segurança alimentar e a autonomia estratégica agrícola não são negociáveis”, conforme Gert Jan Oplaat, representante dos processadores de aves europeus reunidos na AVEC.
As organizações de agricultores exigem uma política agrícola mais eficiente e manifestam forte oposição ao acordo comercial UE-Mercosul. Eles demandam a preservação da Política Agrícola Comum (PAC) como um pilar autônomo da União Europeia, com um orçamento separado, dedicado e em dois pilares, que seja adequado aos desafios atuais.
As instituições da UE são instadas a reforçar a gestão do mercado com ferramentas de gestão de risco e redes de segurança que funcionem corretamente e sejam adequadamente financiadas. As organizações exigem a suspensão imediata do processo de ratificação do acordo UE-Mercosul em sua forma atual, além de medidas concretas e coerentes para proteger os agricultores europeus. Também pedem regras justas para o comércio internacional, baseadas na plena reciprocidade, na igualdade de padrões de produção e na proteção ambiental, apoiadas por medidas de controle credíveis.
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As organizações reunidas em Varsóvia expressam profunda preocupação e firme oposição a iniciativas políticas que ameaçam os fundamentos da agricultura europeia: a autonomia estratégica agrícola para as necessidades alimentares e não alimentares, a segurança do consumidor, a concorrência leal e a proteção do ambiente e do clima. Elas se opõem ao desmantelamento da PAC como uma política forte e ambiciosa, com um orçamento específico e adequado aos desafios, manifestando-se contra quaisquer ações que ponham em risco o futuro da agricultura europeia e, consequentemente, a segurança da Europa.
Os agricultores afirmam que a crescente dependência de importações agrícolas, em detrimento da produção nacional, representa riscos significativos. Esse cenário é agravado por um ambiente geopolítico incerto e por conflitos militares globais, como a guerra na Ucrânia, que podem enfraquecer a agricultura europeia e interromper as cadeias de suprimentos estabelecidas, levando a uma maior instabilidade global. Essa abordagem contrasta com as estratégias adotadas por outros players globais, que priorizam o fortalecimento de seus próprios setores agrícolas nacionais.
Além disso, as organizações de agricultores criticam a Comissão Europeia por exigir padrões ambientais cada vez mais rigorosos de seus próprios agricultores, enquanto aceita importações de alimentos que não cumprem os mesmos padrões. Considera-se crucial revisar e redefinir uma política comercial europeia coerente e reconhecer a dimensão estratégica da produção alimentar, no âmbito de uma ordem comercial que mudou drasticamente e deixou de ser baseada em regras. Essa revisão é vista como essencial para salvaguardar um setor agrícola europeu sólido e preparado para o futuro.
Referência: Poultry World





















