Documento apresentado a parlamentares alerta para impactos bilionários e pede debate técnico, transição gradual e valorização da negociação coletiva
Setor produtivo de Santa Catarina entrega manifesto e defende modernização responsável da jornada de trabalho

Entidades representativas do cooperativismo, das agroindústrias e do agronegócio de Santa Catarina entregaram, na terça-feira (17), em Brasília, um manifesto aos parlamentares da bancada catarinense defendendo uma modernização responsável da jornada de trabalho no Brasil.
O documento, intitulado “Manifesto do Cooperativismo e das Agroindústrias Catarinenses pela Modernização Responsável da Jornada de Trabalho”, foi encaminhado a deputados federais e senadores do estado, entre eles Carlos Chiodini, Gilson Marques, Júlia Zanatta e Esperidião Amin.
A iniciativa reforça a mobilização do setor diante das discussões no Congresso Nacional sobre a possível redução da jornada semanal de trabalho, tema que preocupa cadeias produtivas que dependem de escala e operação contínua, como agroindústrias, frigoríficos, granjas e linhas de produção.
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Defesa de debate técnico e previsibilidade
Segundo o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, a modernização das relações de trabalho é necessária, mas deve ocorrer com responsabilidade e embasamento técnico.
“Nós defendemos a modernização das relações de trabalho, mas ela precisa ocorrer com base técnica, previsibilidade e diálogo. Tomar uma decisão estrutural em ano político-eleitoral aumenta o risco de escolhas apressadas, sem avaliação adequada de impactos. O cooperativismo catarinense quer contribuir com soluções equilibradas, que preservem competitividade, empregos formais e segurança jurídica”, afirma.
Impacto pode chegar a R$ 10,8 bilhões por ano
De acordo com levantamento citado no manifesto, a redução da jornada semanal pode gerar um impacto estimado de R$ 10,8 bilhões por ano apenas para cooperativas e agroindústrias catarinenses.
O documento também destaca que o setor é responsável por 102.402 empregos diretos no estado, e que eventuais mudanças na carga horária podem exigir novas contratações, elevando custos operacionais.
Na avaliação das entidades, esse cenário pode provocar perda de competitividade e aumento de preços ao consumidor, em função do repasse de custos ao longo da cadeia produtiva.
Propostas para modernização responsável
Além de apresentar preocupações econômicas, o manifesto propõe diretrizes para uma modernização equilibrada das relações de trabalho, com foco em:
- aumento da produtividade
- diferenciação entre setores e regiões
- fortalecimento da negociação coletiva
- transição gradual com avaliação de impactos
- ampla participação dos agentes envolvidos
As entidades defendem que qualquer mudança estrutural leve em consideração as particularidades do setor agroindustrial, que opera com ciclos produtivos contínuos e elevada exigência operacional.
Recomendação para adiar debate
Ao final, o documento recomenda que a proposta de redução da jornada não seja pautada ou votada em ano político-eleitoral, a fim de evitar decisões precipitadas e garantir um ambiente mais adequado para construção de consensos.
A avaliação é de que o tema exige análise aprofundada de seus efeitos sobre o emprego formal, a produtividade e a competitividade do país.
Entidades signatárias
O manifesto é assinado por diversas entidades representativas do setor produtivo catarinense, incluindo o Sistema OCESC, FAESC, FECOAGRO, FETAESC, SINDICARNE, ACAV e SINDILEITE SC, entre outras.





















