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Chapecó só será vendida se quitar as suas dívidas

Concluída a “due dilligence” na Chapecó Alimentos, nesta semana, a Coinbra, do grupo francês Louis Dreyfus, confirma por escrito a sua proposta para compra do frigorífico catarinense.

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Da Redação 18/06/2003 – Concluída a “due dilligence” na Chapecó Alimentos, nesta semana, a Coinbra, do grupo francês Louis Dreyfus, confirma por escrito a sua proposta para compra do frigorífico catarinense. O valor de referência oferecido pelo grupo é de R$ 175 milhões, informou a este jornal o vice-presidente da Coinbra, Fernando Moraes. “Mas para fechar negócio leva pelo menos mais dois ou três meses. E isso está condicionado ao fato de a Chapecó conseguir quitar todas as dívidas com esse valor, questão a ser resolvida entre a empresa e seus credores”, afirmou. Ou seja, os franceses só levam a companhia com a garantia de não haver nenhum passivo pendente.

Esse é o complicado nó a ser desatado, como mostram os números do último balanço publicado, relativo ao primeiro trimestre de 2002. Só com empréstimos e financiamentos, os compromissos somavam na época R$ 983,6 milhões no curto de curto e longo prazos.

O ritmo lento da negociação reacendeu as esperanças de velhos e novos interessados nos quatro frigoríficos e na marca da indústria de carnes. O empresário de Rio do Sul (SC) Jacir Pamplona, por exemplo, anunciou que encaminhou ao Banco Fator, que assessora a Chapecó, e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nova proposta para a empresa.

O valor não foi divulgado, mas segundo apurou este jornal, o montante seria muito próximo ao oferecido pela Coinbra. Pamplona controla o Frigorífico Riosulense, quinto maior do País no segmento suíno. A empresa também atua no segmento bovino. Com receita bruta de R$ 248 milhões em 2002, o Riosulense é bem menor do que a firma que pretende comprar. Em 2001, a Chapecó faturou R$ 683,2 milhões.

A Chapecó iniciou também negociação com a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. O prefeito de Chapecó (SC), Pedro Uczai (PT), que acompanha as negociações, reuniu-se segunda-feira com a direção da Petros para tratar do assunto. Ontem foi a vez do diretor da Chapecó, Celso Schmitz, que não atendeu este jornal.

A reunião na Petros não foi a única realizada ontem para tratar do futuro da companhia. O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), foi à sede do BNDES, no Rio, onde conversou com o presidente da instituição, Carlos Lessa. Conforme a assessoria de Silveira, Lessa confirmou o recebimento da proposta de Pamplona e promete se pronunciar sobre o assunto nos próximos dias.

O governador decidiu mergulhar de vez no assunto e anunciou que haveria sete interessados na compra dos ativos da Chapecó, procurando dar a impressão de que haveria uma verdadeira disputa pelo frigorífico.

Segundo Uczai, existem três alternativas: a Coinbra, uma outra empresa ou a constituição de uma cooperativa. “Os credores vão ter de ter sensibilidade e se conformar com o recebimento de parcela inferior ao valor devido pela Chapecó”.

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