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Alta do real pressiona lucro da Perdigão

Mas empresa considera resultado positivo, pois margens melhoraram em função do ganho de eficiência.

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Da Redação 11/08/2005 – A valorização do real em relação ao dólar voltou a afetar o resultado da Perdigão. Apesar do avanço das vendas no primeiro semestre – 9,3% pra R$ 2,854 bilhões – , o lucro da empresa caiu 9,2% na comparação com igual intervalo de 2004 e ficou em R$ 155,3 milhões. No segundo trimestre, a receita somou R$ 1,483 bilhão, alta de 7,7% na comparação como o mesmo período de 2004. Já o lucro caiu 7,9% sobre igual intervalo de 2004, para R$ 83,530 milhões.

O vice-presidente financeiro da empresa, Wang Wei Chang, explicou que a desvalorização de 15,5% da moeda americana no semestre afetou a receita com as exportações, apesar da alta de 7% nos preços em dólar. Essa combinação gerou uma queda de 8,5% no faturamento em reais. Nem o aumento de 18,1% nos volumes exportados – que alcançaram 337,2 mil toneladas – e a queda de 4,4% do custo médio impediram o resultado.

Wang observou que no mercado interno, as vendas subiram 6,8% para 266,9 mil toneladas no semestre, período em que o preço subiu 7,4% e o custo médio de produção, 6,4%.

Considerando apenas o segundo trimestre, as vendas externas cresceram 20,5%, para 180,2 mil toneladas. Mas a valorização da moeda brasileira fez a receita em reais cair 14%, mesmo com a alta de 5% dos preços em dólar e da queda de 6,9% nos custos. Já o mercado interno negociou um volume 8,8% maior no segundo trimestre (134,7 mil toneladas), e a Perdigão conseguiu elevar o preço médio em 5,9%. “Conseguimos cobrir o aumento de custo de 5,4%”, comentou. A geração de caixa da Perdigão também foi menor no semestre passado na comparação com igual período de 2004 – saindo de R$ 325 milhões para R$ 314,2 milhões.

Apesar dos resultados menores, a Perdigão considerou os números positivos. “Conseguimos no segundo trimestre margens em geral melhores do que no primeiro trimestre deste ano por conta da maior eficiência operacional e melhora na produtividade”, afirmou Wang. O aumento das exportações de carne suína, cujo preço unitário é mais alto que o do frango, e os bons preços da ave no mercado japonês também favoreceram o resultado.

A margem bruta, por exemplo, saiu de 27,1% no primeiro trimestre para 28,1% no segundo. A margem operacional ficou em 10,8% contra 10,1% no primeiro trimestre e a margem líquida, em 6,4% contra 6%. Já a margem EBTDA subiu para 12,7% no trimestre passado ante 12,2% no primeiro. “Nossas margens operacionais são positivas”, completou.

Wang argumentou que é preciso levar em conta que hoje mais de 50% da receita da Perdigão vêm das exportações e que o dólar caiu 20,6% no segundo trimestre em relação a igual época de 2004. Além disso, os números de 2004 foram favorecidos pela forte demanda por carne de frango pelo Japão, por causa da gripe aviária.

Aliás, o Japão ganhou tanta importância para a Perdigão que a empresa vai inaugurar escritório em Tóquio para atender o mercado local e a Coréia do Sul.

 

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